Porta-voz advertiu que recomendação é a ‘última chance’ de evitar medidas mais rígidas. Clientes compram peixe em um mercado de Barcelona, na ​​Espanha, nesta sexta-feira (17) Autoridades de saúde pedem aos 5,5 milhões de moradores que reduzam sua socialização ao mínimo e fiquem em casa o máximo possível para impedir a propagação do novo coronavírus
Emilio Morenatti/AP
As autoridades catalãs pediram nesta sexta-feira (17) que os habitantes de Barcelona fiquem em casa e só saiam se for essencial, devido ao aumento de infecções por coronavírus que, se não for contido, pode levar ao confinamento domiciliar.
“Precisam ficar em casa sempre que não for essencial sair”, disse a porta-voz do governo para esta região espanhola, Meritxell Budó, em entrevista coletiva.
Embora seja uma recomendação, dado que as autoridades regionais não podem restringir drasticamente a mobilidade, a porta-voz advertiu que é “a última chance” de evitar medidas mais rígidas.
“Somos forçados a dar um passo atrás, para que não tenhamos que retornar nas próximas semanas ao confinamento total da população”, disse Budó, que também pediu aos cidadãos que não se locomovam a outras regiões neste fim de semana.
As medidas anunciadas nesta sexta-feira também incluem a proibição de reuniões de mais de dez pessoas, a redução de 50% na capacidade de bares e restaurantes e o fechamento de locais de entretenimento, como teatros, cinemas e instalações esportivas.
Esse pacote de restrições só pode ser aplicado após ratificação por um juiz.
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No total, as restrições afetam cerca de 4 milhões de pessoas, incluindo a área metropolitana de Barcelona, a segunda conurbação espanhola e um dos mais importantes destinos turísticos europeus.
Na última semana, de acordo com dados do governo catalão, a cidade registrou 733 casos positivos por teste de diagnóstico PCR, contra 279 na semana anterior.
Pessoas são vistas na parte externa de um bar em Barcelona, na ​​Espanha, nesta sexta-feira (17)
Emilio Morenatti/AP
A duração dessas restrições será de duas semanas.
Um mês depois de encerrar completamente o confinamento da população, tendo reduzido bastante os casos de coronavírus, a Espanha passa por uma aceleração de infecções.
Em todo o país, mais de 150 surtos permanecem ativos, mas as duas regiões de maior preocupação são Catalunha e Aragão.
O diretor do centro de emergências sanitárias, Fernando Simón, admitiu na quinta-feira que nessas duas regiões “há uma certa transmissão comunitária”.
As autoridades catalãs já haviam decretado esta semana o confinamento de 160 mil pessoas na área da cidade de Lérida, enquanto o governo de Aragão também impôs restrições em várias áreas, incluindo Zaragoza, a quinta cidade mais populosa da Espanha.
A Catalunha e posteriormente todas as regiões espanholas reforçaram a obrigação de usar máscara, sob pena de multa, mesmo quando a distância de segurança pode ser mantida.
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Os surtos em Barcelona parecem ter nascido em L’Hospitalet de Llobregat, com 256 mil habitantes, uma das zonas mais densamente povoadas da Europa.
Segundo o pesquisador do grupo BIOCOM da Universidade Politécnica da Catalunha, Daniel López Codina, a multiplicação de surtos nessa área “dificulta o rastreamento de contatos”.
Além disso, a densidade populacional e sua interconexão com a Espanha e a Europa aumentam “a velocidade com que o vírus pode se espalhar” e “medidas vigorosas devem ser tomadas”, disse ele à AFP.
O governo regional, muito criticado por não ter preparado bem o dispositivo de controle de epidemias, anunciou na quinta-feira a contratação de 500 pessoas para rastrear os contatos dos casos e facilitar o isolamento.
A Espanha é um dos países europeus mais afetados pela pandemia, com mais de 28.400 mortes oficialmente registradas.