Para marcar quatro anos do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, Minas Gerais, o Canal Brasil exibirá, de forma inédita, o curta metragem “Quando a Terra Treme”, dirigida por Walter Salles, uma obra de ficção onde uma professora tenta superar a tragédia ao lado do filho após perder tudo e ter seu marido na lista de desaparecidos. A exibição será no próximo dia 5, terça-feira, às 21h50, no dia exato que se completa quatro anos do rompimento.

Quatro anos atrás, no dia 5 de novembro, a barragem do Fundão se rompia, deixando um rastro de lama e destruição pelos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. Famílias perderam suas casas, terras, vidas e memórias. Ao todo, 19 mortos e uma pessoa ainda desaparecida. A lama deixou devastado mais de 600 km de terra, chegando até o Rio Doce, onde todo um ecossistema foi prejudicado.

Produzido pela VideoFilmes, a produção foi gravada no local do desastre, em 2017. Com roteiro de Gabriela Amaral Almeida, que também roteirizou “O Animal Cordial”, e Maeve Jinkings, de Aquarius, no papel principal.

Luciana, vivida por Maeve Jinkings, é uma professora que, após perder tudo no rompimento, inclusive seu marido, que está desaparecido, tenta superar o trauma com o filho Guto, que ainda alimenta as esperanças de encontrar o pai. O filme mostra o dia a dia dos dois, que tentam se adaptar às condições adversas de uma vida após a tragédia. Junto com isso, vão criando expectativas e desejos diferentes, que é o que os mantêm vivos. Sem ter mais ninguém, os dois juntos buscam sobreviver em uma terra arrasada, reaprendendo a viver do zero e usando a dor para se curarem.

“Quando a Terra Treme” faz parte de um filme coletivo produzido pelo cineasta chinês Jia Zhang-ke, chamado “Where Has Time Gone?”, exibido na Mostra de São Paulo dois anos atrás.

A produção de Jia Zhangke teve participações também da Rússia, Índia, Afríca do Sul e China. Salles foi convidado pelo cineasta para participar do filme, e, segundo ele, “Quando Jia Zhangke me convidou para realizar um curta que fosse um retrato do nosso tempo, no Brasil, pensei imediatamente no rompimento da barragem de Mariana”, conta Salles. “Não era somente o maior crime ambiental da história do país, mas também um retrato da gritante impunidade brasileira. Vidas foram ceifadas, vilarejos destruídos, e milhares de pessoas perdiam ali a relação de pertencimento com o local onde moravam”, diz Walter Salles para a Cosmo Nerd.

“Pensamos nas memórias soterradas pela tragédia, nos laços de afeto que se desfaziam brutalmente, naquelas vidas que seriam modificadas para sempre”, continua. “O fato de que um corpo nunca foi encontrado nos permitiu construir a ideia central de Quando a Terra Treme: numa família de três pessoas profundamente unidas, o que acontece quando uma delas desaparece? O filme fala de um tema que reverbera em longas que realizei, a ausência da figura paterna, mas aborda também outros:  o tempo cura, ou não, a ausência de alguém? “Quando a Terra Treme” fala de dor, mas também de saudade e esperança”, conclui.

 

Walter Salles é um premiado cineasta brasileiro, responsável por grandes filmes como Central do Brasil. Por ele, recebeu, entre outros prêmios, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 1999.

Ele e o irmão, João Moreira Salles, fundaram a produtora VideoFilmes, em 1987. Ambos são filhos de Walter Moreira Salles (in memoriam), embaixador e banqueiro. Os dois são os únicos da família que não seguiram o caminho do pai.

Walter Salles se formou em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e estudou comunicação audiovisual na Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

Além de Central do Brasil, Walter Salles produziu também “Diários de Motocicleta”, “Na Estrada”, “Terra Estrangeira”, entre outros.

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