Brasil é o terceiro país com o maior número de casais separados dentro da campanha “Love is Not Tourism”. A brasileira Lucila Oliveira da Costa, 31 anos, e o espanhol Andrés de Ferrà, 32 anos, se conheceram em 2017 na Itália. Desde então, os dois vivem um relacionamento à distância. Ela planejava se mudar para a Espanha em maio deste ano para viver com o namorado. Mas as restrições impostas à entrada de turistas no país forçou o adiamento da viagem.
O casal aparece na campanha Love is Not Tourism (“Amor não é turismo”) que pede a liberação de viagens de pessoas em relacionamentos de longa distância e familiares que estão longe do seu país de origem. Muitos ficaram separados por conta das restrições de circulação impostas por governos como forma de limitar o alcance da pandemia de Covid-19.
O movimento usa na internet as hashtags #LoveIsEssential (amor é essencial) e #LoveIsNotTourism (amor não é turismo). Os casais se comprometem a entregar testes negativos de coronavírus pagos com o próprio dinheiro na partida e na chegada, usar máscaras em aeroportos e aviões, ir direto para a quarentena e ficar em casa com seus pares.
Na plataforma que reúne esse tipo de caso, o Brasil é o terceiro país que apresenta o maior número de casais separados que aderiram a campanha, ficando atrás dos Estados Unidos e da Alemanha.
“A campanha me deixa aliviada porque eu não me sinto sozinha. Eu não sou a única nessa situação. Como meus planos foram interrompidos, eu estava em uma tristeza enorme porque parecia uma conspiração do universo para impedir minha felicidade. Conhecer outras pessoas que estão passando por isso e buscando alternativas me deu esperanças novamente”, disse Lucila.
Lucila e Andrés na Itália em 2017
Arquivo pessoal
Lucila estava com viagem marcada para a Espanha no dia 22 de maio e foi obrigada a remarcar para 30 de junho. É no dia em que os países da União Europeia (UE) aprovaram a reabertura das fronteiras a partir de 1º de julho aos turistas de 15 países – mas os brasileiros foram barrados da lista.
Com vestido de noiva comprado
A carioca Michelle Oliveira, de 39 anos, estava de malas prontas e vestido de noiva comprado para embarcar em março para a Finlândia e se casar com Petri Koukkula, 37 anos.
Michelle e Petri na Finlândia em 2019
Arquivo pessoal
“Conheci o Petri em novembro de 2018 em um site de relacionamentos. Três semanas depois ele veio até o Brasil me conhecer. Nós nos apaixonamos e iniciamos uma relação amorosa à distância. No ano passado, eu fui até a Finlândia conhecer a família dele, ficamos dois meses juntos e antes de voltar para o Brasil ele me pediu em casamento”, conta.
Michelle retornou para o Brasil com o intuito de organizar a documentação necessária para realizar a cerimônia. O casal já tinha alugado uma casa na Finlândia para a nova vida. Mas a pandemia chegou antes de 30 de março, dia da passagem comprada para selar a mudança.
Vestido de noiva comprado por Michelle no Brasil
Arquivo pessoal
“As fronteiras foram fechadas no dia 16 de março, eu já tinha comprado até o vestido de noiva e organizado minha vida para ir definitivamente. Tentei remarcar a passagem, mas todos os voos já tinham sido cancelados”.
Michelle está desempregada e vive no Rio de Janeiro em imóveis por temporada. “Minha vida tem sido essa, estou sozinha no meio de uma pandemia esperando alguma novidade. Antes de tudo isso, nós estávamos animados, planejando o casamento e procurando uma igreja para realizar a cerimônia. Depois de março tudo mudou: vieram os dias difíceis”.
Michelle informou que caso não consiga embarcar até dezembro, Petri virá ao Brasil.
Oficial em 4 países
Quatro países europeus – Dinamarca, Noruega, Holanda e Áustria – já aprovaram oficialmente uma espécie de “isenção para casais”.
Dinamarca, o primeiro país a implementar o sistema, oferece esse privilégio para não residentes da União Europeia (UE) que estejam em um relacionamento com um residente dinamarquês por um “certo período, normalmente de três meses” e tenham “se encontrado pessoal e regularmente”.
O site do governo dinamarquês adverte que “casais cujo relacionamento se baseou apenas em contato por escrito e telefônico não são considerados como tendo um propósito digno de acordo com as atuais restrições de entrada”.
Com informações da Deutsche Welle