Geralda da Solidade, de 56 anos, ficou 12 dias entubada em Pirapora, no Norte de Minas, e recebeu alta nessa segunda-feira (13). Geralda ficou 29 dias internada e recebeu alta nessa segunda-feira (13)
Ascom/ Divulgação
“Foi um milagre, cada dia eu melhoro mais e devagarzinho vou ficar ótima”, o relato é da dona de casa Geralda da Solidade, de 56 anos, que foi curada da Covid-19, em Pirapora, no Norte de Minas.
Ela recebeu alta na tarde dessa segunda-feira (13) após 29 dias de internação, 14 foram no CTI. Na saída do hospital, profissionais de saúde e familiares celebraram com música, balões e flores.
“Esse foi um dos casos mais graves da doença que atendemos. Dona Geralda é uma guerreira e esperamos que os próximos também saiam recuperados. Estou grata por todas as pequenas e grandes vitórias”, disse a médica Natane Bitencourt, coordenadora da enfermaria Covid da Fundação Hospitalar Dr Moisés Magalhães Freire.
Segundo ela, a paciente ficou 12 dias entubada, teve mais de 60% do parênquima pulmonar acometido pelo vírus e permanece em recuperação, e deve manter o repouso.
A recomendação da médica está sendo seguida à risca por dona Geralda. Amanhecer em casa depois de tantos dias foi uma alegria e ela contou ao G1 que acordou cedo nessa terça, tomou banho com a ajuda do filho, que mora com ela, e depois ficou quietinha assistindo TV.
“Ainda estou me sentindo fraca, as pernas estão fracas. Meu filho me ajudou no banho, preparou o café e agora estou ‘embrulhadinha’ vendo televisão. Estou igual um bebê”, disse com bom humor.
Dona Geralda amanheceu em casa nessa terça após 29 dias
Arquivo pessoal
O filho dela, de 33 anos, também testou positivo para Covid-19 e já está curado. Anderson Ferreira de Souza teve sintomas leves e permaneceu em isolamento domiciliar quando a mãe foi internada. Ele conta que foi muito difícil ficar longe dela, mas nunca perdeu a esperança de vê-la recuperada.
“Eu confiava em Deus e orava muito. Passava o dia em oração e tinha fé, foi muito complicado ficar sem a alegria dela aqui em casa durante esses dias. Sou grato a Deus e a equipe médica que cuidou tão bem da minha mãe. Meu irmão mais novo sempre ia no hospital em busca de notícias e fazia orações no local”.
Medo da doença
Um neto de 11 anos também mora na casa e não se contaminou. Dona Geralda conta que desde que começou a pandemia, a rotina da família foi alterada.
“Eu tinha muito medo dessa doença e tomava todos os cuidados. Passava álcool em gel nas trincas da casa, colocava álcool na máquina quando ia lavar roupa. Só saía de casa para ir ao supermercado, mas sempre de máscara e com o álcool na bolsa”.
A dona de casa apresentou os sintomas da doença após receber a visita de uma das filhas que mora em Uberlândia (MG). Ela também testou positivo e teve sintomas leves.
Profissionais de saúde se despediram de dona Geralda nessa segunda-feira
Ascom/Divulgação
De acordo com a médica, Natane Bitencout, a paciente procurou atendimento médico no dia 14 de junho, oito dias após sentir dor de cabeça e febre.
“Nos primeiros três dias, ela apresentou uma melhora depois teve uma pneumonia associada ao coronavírus e precisou ser levado para o CTI, ficando 24h em observação antes de ser entubada”.
A médica explica que 70 pacientes já foram atendidos na Fundação Hospitalar Dr Moisés Magalhães Freire nos últimos três meses e o caso da Dona Geralda foi um dos mais preocupantes.
“Tivemos outros pacientes graves, mas que não precisaram ser entubados. Apesar da boa evolução, ela teve uma resposta lenta ao tratamento”.
“Eu fiquei muito ruim e digo para todas as pessoas terem cuidado porque não é brincadeira e o tratamento é doído. Estou feliz e tenho muita gratidão a Deus e aos profissionais de saúde”, disse Geralda Solidade.
Veja mais notícias da região em G1 Grande Minas.