Bebê se recuperou bem. Esse seria o primeiro caso em que os médicos conseguiram provar que a gestante transmitiu a doença ao filho. Imagem de arquivo mostra mulher grávida com máscara e luva em Waltham, Massachusetts, nos EUA
Charles Krupa/AP
Médicos na França relataram que um menino recém-nascido foi infectado pelo novo coronavírus ainda no útero da mãe. O caso desse bebê, que se recuperou bem, seria o primeiro em que os médicos conseguiram provar que a gestante transmitiu a Covid-19 ao filho.
A criança teve uma inflamação no cérebro poucos dias após o nascimento, que é uma manifestação neurológica semelhante às descritas em pacientes adultos. O Sars-Cov-2 contaminou primeiramente a mãe, no último trimestre de gestação, atravessou a placenta e provocou uma infecção antes do nascimento.
“Infelizmente, não há dúvida sobre a transmissão neste caso. Os médicos devem estar cientes de que isso pode acontecer. Não é comum, isso é certo, mas pode acontecer”, afirmou Daniele De Luca, diretora médica de pediatria e cuidados intensivos neonatais do hospital Antoine Béclère, em Paris, de acordo com o “The Guardian”.
A mãe de 23 anos, que estava no final do terceiro trimestre de gestação, foi internada em 24 de março com febre e tosse. O teste que fez logo após sua internação deu positivo.
Três dias após a internação, o acompanhamento do bebê revelou sinais mal-estar e, por isso, os médicos realizaram uma cesariana de emergência.
A mãe tomou anestesia geral, o que acabou afetando a criança. O bebê, que nasceu com 2,540 kg foi levado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e precisou se entubado.
Exames de sangue e em líquido extraído do pulmão mostraram que ele estava infectado pelo novo coronavírus, mas descartava outras infecções virais, bacterianas e provocadas por fungos.
Até esse estudo, publicado nesta terça-feira (14) pela revista médica Nature, as análises de potencial contaminação de recém-nascidos detectavam o vírus ou relatavam a presença de anticorpos nos bebês, porém não deixavam clara a via de transmissão.
De Luca explicou que a transmissão durante a gestão não havia sido demonstrada porque é preciso coletar muitas amostras para análise. “Você precisa do sangue materno, do sangue do recém-nascido, do sangue do cordão umbilical, da placenta, do líquido amniótico, e é extremamente difícil obter todas essas amostras em uma pandemia com emergências por toda parte”, disse ao “Guardian”.
Segundo ela, houve outros casos suspeitos, mas “eles continuam suspeitos porque ninguém teve a oportunidade de testar tudo isso e verificar a patologia da placenta”.