Lea Khoury mora no Líbano e tem família em Brasília. Jovem, de 33 anos, estava a oito quilômetros do porto quando houve estrondo. Vidraças foram quebradas na casa de Lea Khoury, moradora de Beirute, no Líbano, após explosão em área portuária
Arquivo pessoal
Vidros quebrados, fumaça e tremores. É assim que Lea Khoury, de 33 anos, descreve o cenário que encontrou nas ruas minutos após a explosão na área portuária de Beirute, no Líbano, nesta terça-feira (4). A jovem é libanesa e mora a oito quilômetros do incidente.
Ao G1, nesta quarta-feira (5), Lea contou que estava na academia, por volta das 18h – no horário do Líbano, 12h no Brasil – quando sentiu o que imaginava ser um “terremoto”.
“Foi horrível. Eu estava fazendo abdominais, deitada de costas para o chão. Primeiro, a energia caiu, senti um terremoto, levantei para perguntar para uma menina do meu lado se ela sentiu também, quando senti um outro ‘terremoto’ mais forte”, disse.
“Escutamos o barulho, que estourou os vidros, e pedaços do teto caíram em cima de mim.”
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A duas “ondas” de tremor, segundo a dona de casa, antecederam o barulho da explosão e houve o que ela chamou de “uma pressão muito forte”. Só depois, a libanesa afirma que percebeu a dimensão dos estragos.
Fumaça e carros parados
Lea Khoury, os filhos e o marido
Arquivo pessoal
A academia onde ela estava no momento da explosão fica em um prédio no mesmo quarteirão onde mora. Após os primeiros impactos, todos correram para fora.
“Foi quando vimos aquela fumaça enorme, preta, os carros na rua paravam. Eu esperei cinco minutos até tudo parecer mais calmo e fui para casa.”
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Lea mora com o marido e dois filhos. Quando chegou em casa, a dona de casa conta que encontrou a cortina no chão e móveis danificados. Ninguém se feriu.
“Na minha casa, as janelas estavam todas abertas, porque é verão. No vizinho, a porta arrombou”, conta.
Em 10 minutos, familiares ligaram para Leia para saber se ela estava bem. “Ficaram todos assustados”, conta. A jovem tem família em Brasília e em Minas Gerais e chegou a morar no DF, em 2007.
Vidraças foram quebradas na casa de Lea Khoury, moradora de Beirute, no Líbano, após explosão em área portuária
Arquivo pessoal
‘Incerteza’
Um dia após a tragédia, Lea conta que o cenário ainda é de destruição na rua. O governo local declarou estado de emergência por 15 dias. “A prioridade no momento são as pessoas feridas. Há campanhas para arrecadar materiais para os hospitais”.
Além da explosão, o país sofre com crise financeira. Lea está desempregada e o marido trabalha na embaixada da França. A cidade estava em processo de flexibilização do isolamento social devido à pandemia de coronavírus.
“Algumas atividades estavam sendo retomadas, mas agora teve a explosão. Não sabemos o que vai acontecer.”
Equipes de resgate e agentes de segurança trabalham no local de uma explosão que atingiu o porto de Beirute, no Líbano, nesta quarta-feira (5)
Hussein Malla/AP
Lea está desempregada e o marido trabalha na embaixada da França. “Já estávamos em uma situação financeira ruim no país, depois veio a pandemia, e agora, a explosão. O país está a beira de falir”, comenta.
Após o susto, a libanesa afirma que para os próximos dias o sentimento é de incerteza. “A gente não sabe o que vai acontecer ainda. Mas, graças a Deus, estamos bem”.
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