Organização demonstrou espanto ao informar nesta segunda (13) que metade dos 230 mil casos registrados no domingo (12) ocorreram em apenas dois países, Brasil e EUA. Agência alertou que casos voltaram a subir no sul da Ásia Funcionários de bar na Vila Madalena, em São Paulo, utilizam máscara durante a reabertura
Marcelo Brandt/G1
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanon, alertou que os casos de coronavírus estão subindo em vários países do mundo porque tanto a sociedade quanto os governos deixaram de seguir recomendações contra o vírus e retornaram ao ‘antigo normal’.
“Deixe-me ser franco, muitos países estão indo na direção errada. A Covid-19 continua sendo o inimigo público número um, mas as ações de muitos governos e pessoas não refletem isso”, disse Tedros.
“Não haverá retorno ao antigo ‘normal’ no futuro próximo. Mas há um roteiro para uma situação em que podemos controlar a doença e seguir com nossas vidas”, alertou o diretor-geral.
Durante a coletiva desta segunda, a OMS reforçou as medidas individuais e coletivas para conter a transmissão do coronavírus. Tedro destacou:
Manter o distanciamento físico
Lavar as mãos com água e sabão ou álcool gel
Usar máscaras
Adotar a etiqueta da tosse (cobrir a boca com a parte interna do braço)
Fazer quarentena quando estiver doente
“Se o básico não for seguido, há apenas um caminho para esta pandemia: ficar cada vez pior”, advertiu o diretor geral da OMS.
Países em intensa fase de transmissão
Tedros apontou que muitos países estão perdendo os ganhos obtidos com a reabertura, principalmente nos países que estão em intensa fase de transmissão. “Estamos vendo isso nas Américas, no sul da Ásia e em vários países da África”, informou.
Em relação aos países das Américas, epicentro da pandemia, a OMS demonstrou preocupação com a reabertura econômica neste momento da pandemia na região.
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“A reabertura desses países levou a uma transmissão mais intensa”, disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, lembrando que alguns desses países, durante o isolamento, haviam tido pequenas conquistas.
“Os governos têm que ser claros nas medidas enviadas à população”, disse Ryan.
Metade dos casos estão no Brasil e EUA
A OMS informou nesta segunda-feira (13) que, no domingo (12), registrou mais de 230 mil infecções confirmadas em 24h, sendo que os países com os maiores registros foram Estados Unidos ( 66.281) e Brasil (45.048).
“Quase 80% desses casos foram relatados em apenas 10 países e 50% vêm de apenas dois países. Embora o número de mortes diárias permaneça relativamente estável, há muito com que se preocupar”, afirmou Tedros.
Vacina não será ‘perfeita’
Segundo Ryan afirmou na coletiva desta segunda, é irrealista “imaginar que vamos nos livrar desse vírus da noite para o dia” e que “a a vacina será perfeita e mágica, e disponível para todos.”
“Todos esperamos que haja uma vacina eficaz, mas precisamos nos concentrar no uso das ferramentas que temos agora para suprimir a transmissão e salvar vidas”, disse Tedros.
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Pandemia fora de controle
Na quinta-feira (9), a OMS demonstrou preocupação com o avanço da pandemia de coronavírus durante a reunião dos estados-membros. A agência de saúde da ONU informou que os casos seguem fora de controle na maioria dos países.
“Na maior parte do mundo, o vírus não está sob controle, está piorando”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
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Na terça (7), a OMS reconheceu que o coronavírus pode ser transmitido pelo ar, e não somente pelo contato com as gotículas expelidas por pessoas infectadas, como vinha afirmando.
A líder técnica para prevenção e controle de infecções da OMS, Benedetta Allegranzi, reconheceu que estão surgindo novas evidências desse risco de contágio pelo ar, mas afirmou que elas não são definitivas e que ainda é preciso reuni-las e interpretá-las.
Allegranzi destacou que a OMS já recomenda que as pessoas evitem ambientes fechados e cheios, mantenham o distanciamento e que usem a máscara em determinadas situações.
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