Tratamentos com antirretrovirais combinados com anti-inflamatórios poderão contribuir para diminuir a gravidade dos casos de Covid em idosos, diz autor do estudo. Idosos em asilos no Paraná serão testados para Covid-19
Secretaria Estadual de Saúde/Divulgação
Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (16) na revista Science aponta que o processo de inflamação das células do corpo, que ocorre tipicamente com o envelhecimento, pode estar associado a quadros mais graves de Covid-19 em idosos e também à maior mortalidade nesta parcela da população.
Os autores afirmam em suas conclusões que a busca pelo desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19 deve considerar que a inflamação nos idosos diminuirá a eficácia da imunização.
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“A busca por uma vacina eficaz para Covid-19 também deve considerar a diminuição da eficácia da vacinação em indivíduos mais velhos, que podem estar associados à inflamação. Portanto, o tratamento eficaz da Covid-19 em pacientes idosos pode exigir uma combinação de regimes anti-inflamatórios e antivirais para complementar a vacinação contra o vírus ”, escrevem os autores.
O texto, assinado por Arne Akbar, coordenador da Divisão de Infecção e Imunidade da University College London (UCL), e Derek Gilroy, chefe do Centro de Farmacologia Clínica da UCL, descreve como o vírus Sars-Cov-2 ataca as células e de que forma o dano pode ser potencializado em indivíduos idosos.
Segundo os autores, a inflamação decorrente do envelhecimento, combinada com um sistema imunológico idoso, pode inibir a imunidade e a resposta natural do corpo à infecção por Sars-Cov-2, nome científico do coronavírus.
Em entrevista ao G1, Arne Akba afirma que tratamentos com antirretrovirais combinados com anti-inflamatórios poderão contribuir para diminuir a gravidade dos casos de Covid em idosos.
“Se a inflamação é um grande problema em pacientes idosos com Covid-19, o tratamento com medicamentos anti-inflamatórios pode ser uma boa maneira de combater a gravidade da doença. Isso é apoiado pela observação de que o esteroide anti-inflamatório acelera a recuperação de pacientes graves. A questão que permanece é se outras drogas inflamatórias também podem ser usadas no estágio inicial da doença para impedir o desenvolvimento de inflamações”, afirma.
Paulo Villas Boas, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e da Comissão Científica de Geriatria, explica que nem todos os idosos desenvolvem um processo inflamatório nas células.
“Por isso vemos alguns centenários se recuperando de Covid. Por que eles sobrevivem e tem pacientes mais jovens que morrem? Porque estes centenários não desenvolveram o processo inflamatório nas células, enquanto jovens com doenças como diabetes e obesidade, têm inflamação mais acentuada”, explica.
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