O Ministério da Saúde calcula que o novo coronavírus trará um custo adicional superior a R$ 10 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas com internações em unidades de terapia intensiva (UTIs), o montante necessário seria de R$ 9,3 bilhões.

A estimativa foi feita considerando um cenário de infecção de 10% da população. Mesmo assim, as projeções são consideradas conservadoras, pois o ministério leva em conta um custo médio por internação que cobre apenas custos variáveis de repasses federais, e não os custos fixos e repasses variáveis adicionais feitos por estados e municípios.

Nesta semana, o Ministério da Saúde chegou a informar à pasta da Economia que o impacto do novo coronavírus para o SUS poderia ultrapassar R$ 410 bilhões em custos adicionais. Técnicos, contudo, afirmam que houve um erro de digitação e que o número correto seria R$ 10 bilhões. Em nota, a pasta diz que o documento será corrigido.

“Trata-se de um erro material. O valor estimado correto seria R$ 10 bilhões. O algarismo ‘4’ foi escrito por engano — deveria ser um cifrão, que fica na mesma tecla do ‘4’. O erro passou despercebido na revisão do documento”, diz nota do ministério.

De qualquer forma, a preocupação levantada pelos técnicos nos documentos contrasta com o discurso do presidente Jair Bolsonaro. Ele vem protestando contra o que chama de “histeria” em torno do assunto, chamando a doença de “gripezinha” e criticando o fechamento do comércio por parte de governadores.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde alerta à Economia que a demora no controle da doença aumenta ainda mais os custos demandados. A pasta lembra do surto de ebola em 2014, que poderia ter sido controlado por menos de US$ 200 milhões em abril de 2014, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Em poucos meses, o montante necessário já havia subido para US$ 4 bilhões.

“Com muita frequência, a detecção, o diagnóstico e o controle dos surtos de doenças são tentados apenas com atraso e após a infecção de muitos seres humanos. Quando o contágio cresce exponencialmente, o custo de controlar os surtos epidêmicos aumenta em conjunto”, afirma a Saúde em documento citado pela Folha de S. Paulo.

Os técnicos afirmam que a mitigação é a única opção. “Quando o controle de surtos falha, a prevenção de uma epidemia se torna mais desafiadora e mais dispendiosa à medida que o contágio se espalha e, eventualmente, se torna impossível. A mitigação da epidemia continua sendo a única opção política. Atrasos na detecção e controle são, em última análise, muito caros, porque os custos de contágio e mitigação crescem exponencialmente”, ressalta a pasta.

A argumentação faz parte de uma proposta do Ministério da Saúde para pedir ao Banco Mundial financiamento para ações de enfrentamento do novo coronavírus, reunidas sob o título “Programa emergencial de apoio para o enfrentamento da pandemia de Coronavírus (Covid-19) no Brasil”.

O valor estimado de financiamento é de US$ 100 milhões. Pelo caráter de bem público da resposta ao vírus, a pasta acredita que o empréstimo teria isenção de taxa no primeiro ano.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui