Jornalista político da emissora britânica ITV Robert Peston afirma esperar o anúncio de novidades nesta quinta-feira (16). Pesquisadores no mundo todo correm contra o tempo em busca de uma vacina contra Covid-19
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Notícias positivas sobre os testes iniciais da candidata à vacina contra a Covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford com a biofarmacêutica AstraZeneca e com testes no Brasil, podem ser anunciadas nesta quinta-feira (16), disse o jornalista político da emissora britânica ITV Robert Peston, citando uma fonte.
“Estou ouvindo que em breve vai haver notícias positivas (talvez amanhã) nos testes iniciais da vacina de Oxford para Covid-19, que é licenciada pela AstraZeneca”, escreveu Peston nesta quarta-feira (15), informou a agência Reuters.
“Aparentemente, a vacina está gerando o tipo de resposta de anticorpos e células T (células assassinas) que os pesquisadores esperariam ver (…) Nem todas as vacinas em desenvolvimento em todo o mundo aumentam anticorpos e células T. Mas a vacina de Oxford parece ter esse efeito duplo”, analisa Peston.
Vacina da Oxford contra Covid-19, testada no Brasil, pode ter registro liberado em junho de 2021, diz reitora da Unifesp
O projeto iniciou a fase 3 dos testes em humanos para avaliar como a vacina funciona em um grande número de pessoas com mais de 18 anos, inclusive no Brasil, mas ainda não informou os resultados dos ensaios da fase 1.
Os desenvolvedores da vacina disseram no início deste mês que são encorajados pela resposta imune que viram nos testes até agora.
Registro em 2021
Unifesp já iniciou testes de vacina contra a Covid-19; reitora explica
A vacina contra a Covid-19 de Oxford, testada no Brasil, poderá ter o registro liberado em junho de 2021, de acordo com Soraia Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista à GloboNews.
Ao todo, 50 mil pessoas participam dos testes em todo o mundo, 10% delas no Brasil: 2 mil em São Paulo, 2 mil na Bahia e outras 1 mil no Rio de Janeiro. O Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Unifesp coordena a aplicação da vacina em São Paulo, que começou em junho com voluntários da área da saúde.
“Com a quantidade de pessoas que estão recebendo a vacina no mundo, é possível que tenhamos resultados promissores no início do ano que vem e o registro em junho”, afirma Soraia Smaili, reitora da Unifesp.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou a vacina de Oxford como a mais adiantada no mundo e, também, a mais avançada em termos de desenvolvimento. Um dos centros que testa essa vacina é coordenado por uma brasileira, a cientista Daniela Ferreira, doutora pelo Instituto Butantan.
Mais de 160 vacinas contra Covid em testes
De acordo com a OMS, há 163 vacinas sendo testadas contra o coronavírus, sendo que 23 delas estão na fase clínica, que é o teste em humanos. Os números são do balanço da organização com dados até 14 de julho.
As etapas de produção de uma vacina envolvem 3 fases:
Fase 1: avaliação preliminar com poucos voluntários adultos monitorados de perto;
Fase 2: testes em centenas de participantes que indicam informações sobre doses e horários que serão usados na fase 3. Pacientes são escolhidos de forma randomizada (aleatória) e são bem controlados;
Fase 3: ensaio em larga escala (com milhares de indivíduos) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da eficácia/segurança e prever eventos adversos; só então há um registro sanitário
Embora os estudos avancem em todo o planeta, o prazo de 12 a 18 meses para liberação é considerado um recorde. A vacina mais rápida já criada, a da caxumba, levou pelo menos quatro anos para ficar pronta.
Outra hipótese contra a qual todos os pesquisadores lutam é a de que uma vacina efetiva e segura nunca seja encontrada. O vírus do HIV, que causa a Aids, é conhecido há cerca de 30 anos, mas suas constantes mutações nunca permitiram uma vacina.