Casos ocorrem após derrubadas de árvores na cidade. Bióloga da UESC comentou caso e disse que está ocorrendo distúrbio comportamental. Aves são encontradas mortas após árvores serem derrubadas em Ilhéus, no sul do estado
Aves conhecidas como maritacas foram encontradas mortas por moradores de Ilhéus, no sul da Bahia, na noite de segunda-feira (13). Através de imagens que circulam nas redes sociais, é possível ver alguns animais caídos e moradores tentando ajudar. [Veja as imagens acima]
As mortes acontecem após a derrubada de amendoeiras na Avenida Soares Lopes, no centro de Ilhéus, que já havia feito com que as aves procurassem abrigo em varandas de prédios. A retirada de amendoeiras começou na última terça-feira (7).
Os moradores de Ilhéus têm se mostrado contra o corte das árvores, alegando a importância da arborização na cidade e de que elas servem de moradia das aves, principalmente das maritacas. Após repercussão, e ação civil pública do Ministério Publico Estadual, a derrubada foi suspensa pela prefeitura.
Selene Nogueira, bióloga da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), acredita que as mortes tenham ocorrido por estresse.
“As minhas hipóteses, conhecendo um pouco do comportamento de psitacídeos [aves], é que essa morte foi causada, certamente por um estresse intenso. Só o estresse, ele já pode matar um animal. Isso é uma falta de bem-estar animal muito grande, a perda de dormida”, explica.
A bióloga informou que apesar das suspeita, apenas um estudo detalhado pode confirmar as causas das mortes.
“Logicamente que isso precisa de um estudo mais sistemático para avaliar, mas a morte, com certeza, é por um distúrbio comportamental, que leva à agressividade. Esses animais podem brigar na hora de dormir, podem ser muito agressivos entre eles, e alguns morrerem na briga, ou o próprio estresse mesmo. A elevação do cortisol que pode ter efeitos de mortalidade”, diz.
Selene Nogueira informou ainda o motivo pelo qual a falta das árvores pode causar estresse nas aves.
“Esses animais passam o dia inteiro forrageando, voltam cansados, precisam de descanso e não encontram espaço. São aves que são territoriais, precisam do seu espaço. Cada uma deve ter a sua área para dormida, e elas podem até se comunicar, se achar. Há registros de vocalização individual, de reconhecimento de vocalização individual, então elas devem ter os sítios de dormida pré-determinado”, explica.
A equipe de reportagem entrou em contato com a prefeitura de Ilhéus para obter posicionamento sobre a morte das aves e aguarda resposta.
Aves em tela na varanda de apartamento em Ilhéus após árvores serem cortadas em avenida da cidade
Reprodução/Redes Sociais
As oito árvores que foram derrubadas deixaram de ser moradia de centenas de maritacas. Um morador mostrou, através de um vídeo, cerca de 60 aves na varanda de um apartamento.
Sobre a derrubada das árvores, a prefeitura já havia se posicionado informando que há replantio programado e a espécie que será replantada está sendo definida entre o Ministério Público e a Secretaria de Meio Ambiente.
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Avenida Soares Lopes, e Ilhéus, onde árvores foram retiradas e causou polêmica no município
Divulgação/Prefeitura de Ilhéus