Veja imagens das maritacas na janela de uma apartamento na cidade de Ilhéus, após o corte das árvores na Av. Soares Lopes. Prefeitura disse que há replantio programado. Aves se abrigam em janela de apartamento em Ilhéus, após árvores serem derrubadas
A derrubada de amendoeiras, neste mês de julho, na Avenida Soares Lopes, no centro de Ilhéus, sul da Bahia, tem causado polêmica. A população é contra a medida executada pela prefeitura na última terça-feira (7) e alega que houve falta consciência ambiental.
Os moradores, inclusive, criaram uma petição que até a manhã desta segunda-feira (13), tinha 4.034 assinaturas. [Saiba mais sobre a petição ao final da matéria]
Além da preocupação ambiental com as árvores, os moradores estão em alerta por causa das aves, conhecidas como maritacas. Elas foram vistas procurando abrigo nas varandas dos prédios que ficam na região, já que sem as árvores, elas não têm onde ficar. Um morador registrou as aves na varanda da janela e através de um vídeo é possível notar, apenas em uma varanda, cerca de 60 aves. [Veja o vídeo acima]
De acordo com o promotor público de Ilhéus, Paulo Figueredo, o Ministério Público Estadual abriu uma ação civil pública sobre o assunto. A prefeitura deve ser intimada nesta segunda-feira (13) e terá até quinta-feira (16) para se manifestar.
Aves em tela na varanda de apartamento em Ilhéus após árvores serem cortadas em avenida da cidade
Reprodução/Redes Sociais
O promotor detalhou que já houve um entendimento, na sexta-feira (10), com secretários municipais e a derrubada das árvores foi suspensa até que se encontre uma solução para os envolvidos.
Disse ainda que haverá a participação da Universidade Estadual da Santa Cruz (Uesc), que vai designar uma comissão para auxiliar nos trabalhos do Ministério Público, analisando o plano que vai ser apresentado pelo município.
A prefeitura informou que há replantio programado e a espécie que será replantada está sendo definida entre o Ministério Público e a Secretaria de Meio Ambiente.
Em nota, a prefeitura diz que conforme explicou o secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Ilhéus, Mozart Aragão, as árvores foram retiradas com autorização, em cumprimento ao licenciamento ambiental da nova ponte Jorge Amado, que abrange um sistema viário de 2,7 km e acessos ao Centro e ao Litoral Sul.
Destacou também que as amendoeiras não são espécies recomendadas para a composição do paisagismo, porque a rede de drenagem foi danificada com o acúmulo de amêndoas. Disse, ainda, que as raízes das amendoeiras também danificam calçadas, estruturas dos imóveis e, além das manilhas, também afetam a rede de esgoto.
Mobilização
Avenida Soares Lopes, e Ilhéus, onde árvores foram retiradas e causou polêmica no município
Divulgação/Prefeitura de Ilhéus
Na última sexta-feira, a Associação de Docentes da UESC (ADUSC) manifestou através de nota, repúdio à derrubada das amendoeiras da Avenida Soares Lopes. Na nota, a associação disse que além de afetar a qualidade de vida das pessoas, já que a arborização reduz a poluição, controla a temperatura e a umidade do ar, a retirada das árvores também atingiu centenas de maritacas, que utilizam essas amendoeiras como abrigo.
Movimentos e entidades sociais, como a ADUSC, reprovam a ação afirmando que o meio ambiente não pode ser colocado em segundo plano em Ilhéus, cidade inserida em um bioma rico como o da Mata Atlântica.
A ADUSC divulgou ainda uma petição criada por moradores de Ilhéus, que também repudiam a ação e exigiram a suspensão imediata da ordem de corte das árvores.
Na petição dos moradores, foi destacado que as árvores no meio urbano constituem fonte importante de regulação da temperatura, funcionando como filtro para partículas poluidoras, fornecerem sombra, sendo por isso, recomendado o plantio pelas organizações de proteção ao meio ambiente internacionais e não a retirada delas.
A suspensão de corte das árvores, solicitada na petição, já ocorreu. Entretanto, os moradores ainda pedem que sejam plantadas árvores nativas de Mata Atlântica no local das que foram suprimidas; uma audiência entre representantes do grupo “Dano Ambiental em Ilhéus”, criado para a defesa das árvores e fauna, e prefeito da cidade, Mário Alexandre Correa de Souza, para que o gestor possa explicar a população sobre a finalidade da ação, e que seja encontrada outra solução para o projeto urbanização da Avenida Soares Lopes que poupe as árvores há muito existentes na via.
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