Categoria diz que fez investimentos para retomada das atividades e que foi surpreendida com decisão, que prevê multa diária de R$ 50 mil caso comércio não essencial funcione. Após determinação da Justiça, lojistas protestam em avenida comercial de Itabuna.
Izabella Freitas / TV Santa Cruz
Lojistas de Itabuna, cidade do sul da Bahia, realizam um protesto na Avenida do Cinquentenário, principal trecho comercial do município, contra o fechamento do comércio e a favor da retomada das atividades. A manifestação ocorre dois dias depois de uma da Justiça determinar o fechamento do comércio não essencial.
Os lojistas usaram um microfone para falar sobre a situação que estão enfrentando com o comércio fechado. Havia também faixas no local. Uma delas dizia: “Precisamos trabalhar”.
Segundo Carlos Leahy, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabuna, a categoria está indignada.
“Nós estamos querendo trabalhar. Acima de tudo, continuar trabalhando, gerando emprego e renda. Nós passamos já 120 dias com o comércio fechado de Itabuna, algo inédito. Acredito que poucas cidades no país tenham passado tanto tempo fechado quanto [em] Itabuna. Nós tivemos a oportunidade de retornar o trabalho. E, em menos de 15 dias, recebemos essa notícia péssima de termos que encerrar nossas atividades mais uma vez, fechar o comércio de Itabuna. Nós estamos aqui em forma de protesto. Estamos indignados com toda essa situação, porque o comércio gera emprego e benefícios para a comunidade. É um setor produtivo. Precisamos desse setor para continuar vivendo. As contas são pagas com os recursos que são gerados no comércio, com os empregos gerados no comércio. Nós precisamos continuar trabalhando”, disse.
Ele ainda contou que foi criada uma grande expectativa após o anúncio de retomada. Por isso, vários lojistas investiram no comércio.
“Criou-se uma expectativa muito grande no retorno. Houve um investimento por parte dos lojistas na reabertura das lojas”, pontuou.
Ainda de acordo com Carlos, apesar da Justiça informar sobre o aumento dos casos, eles esperam provas que apontem que o aumento foi resultado da abertura do comércio da cidade.
“Nós observamos as alegações, mas são alegações que precisam ser comprovadas. Porque, pelo que consta nesses 15 dias, não houve aumento no número de casos gerados especificamente pelo comércio. Pode ter sido por outra forma, mas não especificamente no comércio. Todos os lojistas estão seguindo protocolo rigoroso”, pontuou.
Após determinação da Justiça, lojistas protestam em avenida comercial de Itabuna.
Izabella Freitas / TV Santa Cruz
A determinação da Justiça foi publicada na segunda-feira (27) para conter o avanço do coronavírus. A prefeitura disse que a rotatividade dos leitos é grande e que os dados mudam a todo momento. No entanto, desde o mês de junho, Itabuna tem 100% dos leitos exclusivos para Covid-19 ocupados. A multa diária para descumprimento é de R$ 50 mil.
A prefeitura de Itabuna informou que foi notificada na tarde de segunda, e que um procurador do município foi a Salvador na terça (28) para recorrer e suspender a determinação. Também na terça, parte do comércio abriu em Itabuna apesar de decisão.
A cidade é a terceira com mais casos registrados da Covid-19 na Bahia: 5.021 contaminados e 112 pessoas mortas. A prefeitura alega, também em nota, que a taxa de ocupação inclui também pacientes de outros municípios. Ainda segundo a gestão, no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, dos leitos de UTI que estão ocupados, 38% são pacientes de outros municípios, 62% são pacientes de Itabuna.
O comércio não essencial de Itabuna está aberto desde do dia 9 de julho, dias após um declaração polêmica do prefeito da cidade. No fim de junho, Fernando Gomes (PTC) disse que o comércio seria reaberto “morra quem morrer”.
‘Morra quem morrer’
Prefeito de Itabuna diz que comércio será reaberto ‘morra quem morrer’
O vídeo com a declaração polêmica do prefeito circulou pelas redes sociais e teve repercussão nacional. [Veja no vídeo acima]
“Primeiro, lutar pela vida, a vida é uma só. [Depois que] morrer, acabou [a vida]. Não tem fortuna, não tem pobreza, não tem falência, não tem nada. Mas não posso abrir uma coisa que não tenho cobertura. Com a dúvida, com os nossos morrendo por causa de um leito em Itabuna, vou transferir essa abertura. No dia 8, mandei fazer o decreto, que no dia 9 abre, morra quem morrer”, disse o prefeito.
Depois da repercussão, o prefeito de Fernando Gomes divulgou nota em que explica a declaração feita durante a entrevista coletiva. No texto, publicado nas redes sociais da prefeitura, Gomes afirma que não houve ‘descaso’ com vítimas da Covid-19 ao falar em “morra quem morrer”.
Em entrevista ao G1, o prefeito de Itabuna também explicou a declaração e disse estava sofrendo uma pressão muito grande e que tinha sido mal interpretado.
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Após determinação da Justiça, lojistas protestam em avenida comercial de Itabuna.
Izabella Freitas / TV Santa Cruz