Cartilhas foram distribuídas em empresas e clínicas médicas parceiras do projeto, além do Centro de Referência da Mulher (CRM), onde a idealizadora foi atendida. Após relacionamento abusivo, baiana de Irecê cria cartilha para ajudar outras mulheres
Após passar muitos anos vivendo um relacionamento abusivo, uma mulher de Irecê, no norte da Bahia, criou uma cartilha para ajudar outras mulheres vítimas de violência doméstica.
“Ele fazia todo tipo de violência, muitas me marcaram, uma vez ele chegou bêbado, me pegou pelos cabelos. Me xingava, me batia, isso pra mim era muito difícil”, disse uma mulher que não quis ser identificada.
A história é parecida com a de Luzia Nunes, idealizadora do projeto. Ela contou que foi agredida pelo ex-marido por mais de 20 anos.
“Já começou com um relacionamento abusivo, durante 4 anos. Me casei e 18 anos de casamento foram todos de violência doméstica, dos cinto tipos de violência”, relatou Luzia.
baiana de Irecê cria cartilha para ajudar outras mulheres vítimas de violência doméstica
Reprodução/TV Bahia
Da experiência difícil, Luzia tirou a lição de que é possível superar traumas. No ano passado, ela esteve em um programa de TV para contar a história dela. Depois disso, Luzia resolveu ajudar outras mulheres com a produção de uma cartilha.
A elaboração da cartilha levou quase um ano e também teve o apoio de outras mulheres que entendem do assunto: uma psicóloga, uma assistente social e uma advogada. A cartilha traz o relato de Luzia e orienta as leitoras a quebrarem o silêncio e denunciar as agressões.
“Essa revista tem a função de mostrar para as mulheres, que é possível sim sair do ciclo de violência e que nenhuma mulher é culpada por ser vítima”, contou a advogada Thais da Paixão.
As cartilhas foram distribuídas em empresas e clínicas médicas parceiras do projeto, além do Centro de Referência da Mulher (CRM), onde Luzia foi atendida.
“Tem muitas mulheres que querem se ver livres do companheiro na clínica, diante de um exame, de uma consulta. Então é uma oportunidade da gente acolher essas mulheres e elas encontrarem esse material aqui, está podendo ver como faz e conhecer”, explicou Liliane ferreira, funcionária da clínica.
Cartilhas foram distribuídas em empresas e clínicas médicas parceiras do projeto, além do Centro de Referência da Mulher (CRM)
Reprodução/TV Bahia
A cidade de Irecê não tem Delegacia da Mulher. Os casos de violência são denunciados na Polícia Civil do município. De acordo com a delegada, Maria José Maciel, o número de denúncias diminuíram comparando o primeiro semestre de 2019 com o desse ano.
De janeiro a junho de 2019 foram 90 casos, sem registros de feminicídio. De janeiro a junho deste ano, foram 62 casos registrados, com dois feminicídios registrados.
“A principal incidência é lesão corporal, mas também em segundo lugar temos difamações, ameaças, calúnias”, explicou a delegada Maria José.
Para Luzia, os números ainda não revelam o tamanho da violência no município porque o medo de denunciar ainda é grande. Com a cartilha, ela espera mostrar às mulheres violentadas, que é possível ter uma nova vida com mais respeito e amor próprio.
“Hoje sou uma mulher feliz, livre de todo o ciclo de violência, então me sinto preparada para ajudar essas mulheres”, completou Luzia.
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