É fundamental ficar atento à saúde emocional e bem-estar das pessoas submetidas a esse período de isolamento. Devido a isolamento social, aumentam relatos de depressão, ansiedade e TOC na pandemia.
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Com o objetivo de evitar a propagação do coronavírus, o isolamento social é a principal recomendação das autoridades de saúde mundial. Apesar de ser uma medida empregada para a preservação da saúde física do indivíduo, é fundamental ficar atento à saúde emocional e bem-estar das pessoas submetidas a esse período de isolamento. Viver sob a constante “ameaça” da contaminação, somado à impossibilidade do contato físico, entre outros fatores, acaba gerando problemas como depressão, transtornos de ansiedade, além dos Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC).
“Muitos problemas escolares, de atenção, também estão sendo relatados. As famílias têm dificuldade em colocar as crianças e adolescentes em frente ao computador, concentrados, para acompanharem as aulas virtuais”, relata Rodrigo Guimaräes, Psicólogo Clínico, Mestre em Análise do Comportamento e Coordenador do curso de especialização em Terapia Analítico Comportamental da Unijorge. Problemas conjugais, de convivência familiar também são em grande número nos consultórios. “Famílias que já têm algum ponto de atrito mal resolvido, com o aumento da convivência, se desgastam mais em brigas e desentendimentos, por isso temos visto em alguns países índices maiores de separação nesse período”, complementa Rodrigo.
O psicólogo clínico, Rodrigo Guimarães, é coordenador do curso de especialização em Terapia Analítico Comportamental da Unijorge.
Arquivo Pessoal
O Transtorno Obsessivo Compulsivo com foco na limpeza x contaminação também tem chamado bastante atenção de psicólogos e psiquiatras. Existem duas situações na pandemia: pessoas que já tinham o transtorno e pioraram com o isolamento e aquelas que tinham certa frequência de limpeza, preocupação, mas nunca chegaram a uma intensidade que atrapalhasse a vida cotidiana delas e que, nessa condição de quarentena, aflorou. “O medo de morrer, de se contaminar, passar o vírus para alguém ou que algum ente querido morra pode gerar uma frequência excessiva de comportamento de limpeza, uma preocupação excessiva de ficar dentro de casa”, destaca o psicólogo Rodrigo Guimarães, que salienta que muitos desses comportamentos acontecem muito mais como uma maneira das pessoas se esquivarem de sentimentos de angústia. “Observo muito isso em pessoas que convivem com idosos ou com alguma pessoa que faz parte do grupo de risco”, completa Rodrigo.
E como identificar, amenizar esses sentimentos? Primeiro, é preciso procurar um terapeuta para ajudar no tratamento de qualquer transtorno. “Hoje as pessoas têm esse tipo de comportamento numa frequência e numa intensidade que estão prejudicando a elas mesmas. A quantidade de sofrimento para a pessoa que executa esses comportamentos compulsivos e para os familiares que convivem, bem como a frequência deles são alguns dos pontos que são levados em consideração no diagnóstico destes tipos de transtornos psicológicos. Ter tolerância a sentimentos de angústia, medo, ansiedade é importante para controlar esses comportamentos excessivos de alta frequência, porque são, na sua maioria, uma forma de fuga x esquiva dessas sensações”, analisa Rodrigo.
Professor Rodrigo e uma das turmas que ele supervisiona.
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O curso
Na Unijorge desde 2008, o Curso de Especialização em Terapia Analítico Comportamental tem como público alvo profissionais de saúde, educação e psicólogos. Essa especialização instrumentaliza o profissional a conduzir a terapia baseada na Análise do Comportamento. No fim do curso, os alunos estão aptos a utilizarem os conceitos e o instrumental científico da Análise Experimental do Comportamento para atenderem os casos.
O processo de formação ocorrerá no período de 02 anos, contemplando disciplinas teóricas com temas fundamentais para uma formação psicoterapêutica de excelência e carga horária de supervisão que visa instrumentalizar o profissional no atendimento de excessos ou déficits comportamentais diversificados. “Em Alguns casos, atendimentos podem ser filmados ou o professor pode assistir aos atendimentos na sala de espelho unidirecional, proporcionando uma modelagem mais eficaz dos comportamentos do terapeuta iniciante”, informa Rodrigo.