Com queda na produtividade do dendê, preço do produto aumentou e quituteiras dizem que estão sem dinheiro, por causa das baixas vendas durante a pandemia. Baianas de acarajé enfrentam problemas com o aumento do azeite de dendê e a pandemia
A queda na produtividade do dendê tem preocupado baianas de acarajé na Bahia. Com a escassez da matéria que é um dos principais ingredientes da culinária local, o preço do azeite está em alta, justamente quando se aproxima da retomada da 2ª fase das atividades comerciais em Salvador.
A presidente da Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Rita Santos, vê o retorno das atividades para as baianas com preocupação já que, com a falta de dinheiro causada pela pausa nas vendas, a categoria não têm condições de arcar com o valor mais alto do azeite de dendê.
“Uma alta muito grande que as baianas não vão conseguir repassar para os clientes, porque as pessoas estão sem dinheiro, e pior pra elas [baianas] que não estão em condições de comprar um produto tão caro”, explica Rita Santos.
Com a pandemia do coronavírus, as baianas de acarajé foram bastante atingidas com o fechamento do comércio de rua. Uma delas foi Elaine, filha da conhecida baiana Dinha do Acarajé. Para não perder a renda, Elaine passou a trabalhar apenas com entregas.
“Estou com 75% do meu faturamento comprometido, por conta desse fechamento. O azeite de dendê teve um problema na safra aqui na costa e, por conta disso, ele vai sofrer um reajuste. Onde hoje eu pago sempre entre R$ 70 e R$ 75, vou pagar entre R$ 120 e R$ 130 por um balde de 16 litros”, explica Elaine.
Um dos principais pontos de vendas de Elaine fica na região do Largo de Santana, no bairro do Rio Vermelho, na capital. Antes da pandemia, ela vendia cerca de 400 acarajés e abarás por dia. Agora, as vendas não chegam nem à metade desse número.
Baianas de acarajé sofrem com aumento no preço do azeite de dendê na Bahia
Reprodução/TV Bahia
A alta no preço do azeite de dendê não afeta somente as baianas da capital. Em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, a baiana Dulcinha também passou a trabalhar com entregas por causa das restrições nas atividades, mas agora acumula essa nova preocupação.
“O dendê que eu comprei mês passado custou R$ 90, agora cedo fui comprar, já estava R$110, e o dono da barraca só tinha 10 baldes”, contou Dulcinha.
Ela relata que costuma comprar os produtos para produzir o acarajé na feira do bairro Brasil. Foi lá que ela ficou surpresa quando viu o baixo estoque do azeite. Um dos comerciantes contou que os fornecedores não estão entregando os produtos no prazo.
“Um dos fornecedores tem três meses que pedi e até agora não chegou, e não sei se vai manter o preço que eu comprei. E também tem outro fornecedor que tem 30 dias também, e ainda não chegou”, conta Cleiton Magalhães.
A Bahia é o segundo maior estado produtor de dendê no Brasil, com mais de 200 mil toneladas por ano. O cultivo da planta é concentrado na região do território do baixo-sul baiano, conhecido como Costa do Dendê.
O produtor Cleiton Magalhães, que cultiva o dendê e produz o azeite na cidade de Valença, conta que a produtividade está em queda. “Realmente é época de entressafra, mas sempre que acontece a entressafra a cada ano, é menos rigorosa do que está acontecendo agora, neste momento”, conta.
Para Cleiton, a falta de incentivo é um dos principais fatores que contribuíram para a queda da produtividade do dendê na Bahia.
“Devido a essa falta de incentivo para o produtor de dendê na Bahia, é que cada ano vem diminuindo a produtividade e ocasionando essa situação”, explica.
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A Bahia é o segundo maior estado produtor de dendê no Brasil, com mais de 200 mil toneladas por ano.
Reprodução/TV Bahia