Anderson Santos, também conhecido como professor Alemão, comanda projeto com cerca de 100 pessoas inscritas no bairro São Gonçalo do Retiro, em Salvador. Anderson dos Santos ensina capoeira em São Gonçalo do Retiro
Arquivo Pessoal
O baiano Anderson dos Santos, de 39 anos, trabalha como agente de movimentação de materiais na CCR Metrô, e nas horas vagas, se dedica ao trabalho voluntário que beneficia crianças, jovens e adultos. Ele ensina capoeira no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador.
É através da roda de capoeira que o professor Anderson, também conhecido como Alemão, viabiliza o acesso de jovens de sua comunidade ao esporte e à cultura, proporcionando melhoria nas condições de vulnerabilidade social.
“lém de tirar as crianças das ruas, com as mentes vazias, elas ganham disciplina. É um esporte que trata saúde e cultura. Só de você ouvir que as pessoas estão adorando e que a gente tem que continuar, é maravilhoso isso”, diz.
Durante o dia, Anderson dos Santos cuida do almoxarifado e inventários da concessionária. À noite, ele ensina os golpes de ataque e defesa, que demonstram que além da arte, a cultura prevalece no bairro.
Professor Alemão ensina capoeira a crianças e jovens
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Através da mistura do som do berimbau, arte-marcial, esporte, cultura popular e dança, Anderson comanda as aulas, desde 2017, no Instituto de Esporte, Cidadania e Inclusão Social (IECIS), na comunidade.
“A minha trajetória na capoeira também começou em um projeto. Eu e um colega descobrimos que a Uneb estava dando aulas gratuitamente, isso há 21 anos. Minha carreira começou assim e agora eu tenho a oportunidade de passar para outras pessoas que estão começando”, diz o orgulhoso professor Alemão.
Professor Alemão, comemora o Dia do Capoeirista, nesta segunda-feira (3), de uma forma diferente. Por causa da pandemia do coronavírus, ele, que pratica o esporte há mais de 20 anos, tenta se acostumar a uma nova ideia: aulas online.
Por causa do cenário atual, de restrições e prioridade à saúde das pessoas, as aulas, que antes aconteciam de segunda a quinta, das 18h às 19h (para os mais novos) e 19h às 20h, podendo se estender dependendo do ritmo da capoeira, são feitas através da internet. Para ele, a resposta é positiva.
“A gente se reinventou e estamos fazendo capoeira online através de um aplicativo. Cada um na sua casa, eu pedi para os alunos e os pais baixarem o aplicativo, começou e graças a Deus está dando certo”, disse.
“A galera está adorando, fala que está ótimo, se espalham no quintal e é uma coisa maravilhosa”.
As aulas são feitas na associação de São Gonçalo do Retiro
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O professor tinha duas turmas com cerca de 100 alunos, entre 7 e 49 anos, incluindo duas mães que aderiram ao projeto. Os encontros virtuais estão acontecendo por uma plataforma digital, às terças e quintas-feiras, sempre às 19h. As aulas contam com cerca de 15 a 20 alunos.
“Agora temos umas 15, 10 pessoas, porque nem todo mundo tem celular, tem internet, aí fica mais limitado. Antes da pandemia a gente tinha cerca de 100 alunos inscritos, mas uns 70 frequentavam”, contou Anderson, lembrando que as aulas chegaram ser dadas em um campo de futebol e em uma praça, por causa da quantidade de pessoas.
A capoeira é um caso de amor, que Anderson passou a dividir com o filho Nicolas Santos, de 12 anos. O garoto, que aprendeu os golpes com o pai, agora ensina os colegas iniciantes.
“Eu gosto muito. Eu aprendo golpes, aprendo muitas coisas lá e faço muitas amizades lá”, disse Nicolas, que quer ser capoeirista quando crescer.
Nicolas começou a ensinar capoeira com o pai
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Através das redes sociais, Anderson e o IECIS têm feito uma corrente colaborativa para arrecadar alimentos para os moradores de São Gonçalo do Retiro. Assim, eles fazem a integração do esporte e da solidariedade para o bem de todos.
“É importante valorizar os nossos mestres de hoje em dia e os mestres antigos. A gente cobra mais incentivo, valorização. Estamos na Bahia e aqui a capoeira era para ser mais valorizada”, desabafou.
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