Diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis alerta que, embora façam maior número de testes, São Paulo e Rio estão muito abaixo de estados menos povoados, como Roraima, em capacidade de testagem por cada milhão de habitantes. FIEMG está capacitada para realização de exames de diagnóstico RT-PCR, que detecta o novo coronavírus
Divulgação / FIEMG
O Brasil é um país que tem recursos e pode aumentar o número de testes para detectar casos de Covid-19, segundo o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Dr. Marcos Espinal.
“Nas últimas semanas, o país conseguiu incrementar o número de testes de PCR para o diagnóstico de Covid-19. Mas o Brasil ainda não chega a 10 mil testes por milhão de habitantes. Então, é necessário que aumentem”, disse Espinal em coletiva online da OPAS nesta quarta-feira (24).
Ele ressalta que é preciso observar que se trata de um país muito grande e com diferentes densidades populacionais, de acordo com suas regiões.
“Por exemplo, os estados de São Paulo, Rio e Ceará são os que estão fazendo o maior número de testes hoje. São Paulo com mais de 350 mil. No entanto, quando vemos o número de testes por densidade populacional, São Paulo e Rio estão muito abaixo de outros como Roraima e outros estados menos povoados, que têm uma alta capacidade de testagem por cada milhão de habitantes”, explicou.
Segundo o especialista, apenas aumentando o número de testes no país será possível conhecer a magnitude mais aproximada de como estão os estados, o número de casos e onde é possível intervir.
“A testagem é muito importante para que os tomadores de decisões possam tomá-las rapidamente em benefício da população brasileira”, acrescentou.
Menos testes do que deveria
Em entrevista ao G1, especialistas disseram na semana passada que o Brasil faz tão poucos testes RT- PCR, considerados os ideais para diagnosticar a Covid-19, que o número de casos confirmados muitas vezes é secundário para cientistas que analisam a evolução da pandemia no país.
Segundo eles, é mais seguro considerar outros índices, como o de óbitos e o de ocupação de leitos de UTI, para compreender se é momento de retomar os serviços essenciais ou de decretar lockdown, por exemplo.