Americanos e russos se reuniram no final de junho para tentar prorrogar um tratado que expira em 2021. Os EUA tentam incluir a China nas negociações, alegando que sua capacidade nuclear está em plena expansão. Pequim se recusa. Imagem da última ‘superbomba’ nuclear do arsenal dos EUA, que foi desmantelada em 2016
Reuters//National Nuclear Security Administration
A China rejeitou, nesta sexta-feira (10), um novo convite de Washington para se somar às negociações entre Estados Unidos e Rússia sobre desarmamento nuclear, acusando os Estados Unidos de “distorcerem” sua posição sobre o assunto.
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Americanos e russos se reuniram no final de junho, em Viena, para tentar prorrogar o tratado bilateral New Start, adotado em 2010 e que expira em 5 de fevereiro de 2021.
Os Estados Unidos tentam incluir a China nas negociações, alegando que sua capacidade nuclear está em plena expansão. Pequim se recusa e ressalta que seu arsenal não tem qualquer relação com as capacidades nucleares desses antigos rivais da Guerra Fria.
Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China disse estar aberto a negociações, desde que Washington reduza drasticamente seu número de ogivas nucleares, 18 vezes superior ao de Pequim.
“Eu lhes garanto que, se os Estados Unidos estiverem dispostos a reduzir seu arsenal ao nível chinês, nós estaremos prontos para participar das negociações imediatamente”, disse então o diretor-geral do Serviço de Controle de Armamento do governo chinês, Fu Cong.
No dia seguinte, o Departamento de Estado americano emitiu um comunicado, elogiando essa declaração e convidando Pequim à mesa de negociações mais uma vez.
“Os Estados Unidos saúdam o compromisso da China de participar das negociações de controle de armas”, afirmou a pasta, sem mencionar a condição imposta por Pequim.
A resposta chinesa foi imediata.
“Os Estados Unidos continuam incomodando e até distorcendo a posição da China”, criticou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian.
“A posição da China, que se opõe a essas supostas negociações trilaterais, é totalmente clara. A parte americana a conhece perfeitamente”, acrescentou.