Pesquisadores sugerem que estratégia deve induzir uma melhor resposta imune para a doença; há até o momento 18 vacinas na fase clínica – com testes em humanos – no mundo. Corrida de farmacêuticas para produzir vacina contra a Covid-19 envolve dezenas de projetos
Dado Ruvic/Reuters
Pesquisadores brasileiros avaliam que uma combinação entre mais de um tipo de vacina contra a Covid-19 pode garantir uma melhor imunização. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) há, até sexta-feira (3), ao menos 147 vacinas em desenvolvimento em todo o mundo, 18 delas já na fase de testes em humanos.
O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Esper Kallás, disse em uma videoconferência que “é possível” que a combinação entre as fórmulas estudadas seja a melhor estratégia de resposta à pandemia de Sars-Cov-2.
Como funcionam as duas vacinas contra Covid-19 que serão testadas em brasileiros
“Ter várias vacinas contra a Covid-19 aprovadas pode ser útil, pois é possível que a melhor estratégia para induzir uma resposta imune protetora seja combinar várias formulações”, explicou Kallás, que coordena os testes da vacina chinesa Coronavac em São Paulo.
O pesquisador participou na quinta (2) de um seminário organizado pelo Canal Butantan e a Agência Fapesp para discutir as vacinas contra a Covid-19 em teste no Brasil. Além da Coronavac, a vacina britânica ChAdOx1 também passa por sua prova de eficácia no país.
Coronavac
Ricardo Palacios, diretor médico de Pesquisa Clínica do Instituto Butantan – que realiza os testes da vacina chinesa no Brasil –, explicou que o desenvolvimento desta imunização avançou rapidamente por conta de estudos anteriores com o vírus Sars-Cov-1, que foi responsável pela epidemia de Sars entre 2002 e 2003.
Segundo os cientistas, tanto a candidata chinesa quando a britânica parecem induzir a produção de anticorpos neutralizantes e também na ativação de uma imunidade celular – quando linfócitos são ensinados a reconhecer e atacar células infectadas pelo Sars-Cov-2.
Ainda não há certeza, disseram os pesquisadores, sobre a duração da imunidade adquirida após a vacinação e o potencial de proteção contra a Covid-19 em nenhuma das candidatas mais avançadas, respostas para isso devem ser dadas após o fim da terceira e última fase de cada uma das pesquisas.
ChAdOx1
Pedro Folegatti, pesquisador do Jenner Institut, o centro de pesquisa em vacinas da universidade de Oxford, testada em laboratórios de São Paulo e do Rio de Janeiro, explicou que a ChAdOx1 é feita a partir do vírus da gripe em primatas (adenovírus), usado como vetor para inserir um pedaço do novo coronavírus no organismo.
A estratégia já era estudada pela universidade de britânica para proteger contra a Mers, síndrome respiratória causada por um outro coronavírus que atingiu países do Oriente Médio.
“A vantagem dessa tecnologia é que o vetor pode ser adaptado para outras doenças e ele é considerado um bom indutor de resposta humoral [anticorpos] e celular”, disse Folegatti. “Há outros grupos testando metodologia semelhante para influenza, tuberculose, febre do Vale do Rift, chikungunha e zika.”
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