Quando existir uma vacina disponível à população, grupo internacional, coordenado pela Opas, priorizará que pessoas com mais de 65 anos sejam vacinadas primeiro, assim como os profissionais da saúde. Voluntário recebe injeção durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 da empresa Moderna, em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de março
AP Photo/Ted S. Warren
Durante a coletiva de imprensa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nesta terça-feira, o médico brasileiro Jarbas Barbosa, diretor-adjunto da entidade, explicou como o grupo de países COVAX distribuirá as primeiras doses da futura vacina contra a Covid-19 nas Américas.
Segundo Barbosa, o grupo negociará a compra de doses suficientes para vacinar até o final de 2021 os 20% mais vulneráveis da população de cada país americano que participa do Covax, além dos profissionais da saúde na linha de frente da pandemia. Como exemplo dos mais vulneráveis à infecção, Barbosa citou as pessoas com mais de 65 anos e com doenças de risco.
Até o momento, o médico brasileiro membro da Opas disse que já há um acordo firmado com um dos produtores que testam a vacina, em que “300 milhões de doses estão comprometidas para a Covax”, disse Barbosa.
“Depois de termos a vacina, o desafio será o acesso equitativo”, afirmou Barbosa nesta terça.
Com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), o COVAX é um esforço coletivo de vários países para acelerar o desenvolvimento, produção e distribuição de futuras vacinas contra o coronavírus. Além disso, quando houver uma vacina eficiente, a plataforma negociará em nome dos países-membros diretamente com os produtores para garantir que o preço e a distribuição das doses sejam feitos de maneira justa.
No dia 15, a OMS informou que o Brasil, assim como EUA e Canadá demonstraram interesse em entrar para o COVAX.
Nesta terça, sem mencionar nome de países, Barbosa informou que 38 países das Américas já confirmaram interesse em aderir à plataforma.
Vacina subsidiada para os mais pobres
A Opas também informou que trabalha para que os países mais vulneráveis da América Latina e Caribe possam ter acesso a futura vacina contra a Covid-19 de forma subsidiada.
“A Opas está coordenando com outros parceiros para garantir que os países mais vulneráveis da região recebam a vacina contra a Covid-19 de forma subsidiada, com preços acessíveis”, afirmou a diretora da Opas, Carissa Etienne.
Vacina da Tuberculose e Covid-19
Ainda nesta terça, o diretor para doenças infecciosas da Opas, Marcos Espinal, foi questionado sobre recentes ensaios que relacionaram possíveis efeitos da vacina contra a tuberculose na Covid-19.
Espinal comentou que, de forma geral, tais ensaios apontam que “os países com grande tempo de vacinação contra a tuberculose tiveram menos mortes por Covid-19”, disse. Mas “necessitamos de mais ensaios clínicos” e mais evidências para afirmar que o imunizante contra a tuberculose tem efeito no combate ao coronavírus.