Sem condições de ficar nas casas atingidas, algumas pessoas que foram abrigadas em motel, contaram que saíram do local porque movimento e barulho impediam descanso. Famílias cobram assistência da Embasa após tubulação romper
Há 15 dias, uma tubulação de água se rompeu e mudou a vida de sete famílias que moravam em uma rua do Periperi, no subúrbio de Salvador. Sem condições de ficar nas casas que foram atingidas, algumas pessoas chegaram a ficar abrigadas em um motel e contaram que saíram do local porque o movimento e o barulho impediam o descanso.
Segundo a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), a rede distribuidora fica da Rua da Prefeitura, em Periperi. Os moradores, no entanto, dizem que a área é do bairro de Praia Grande. As duas localidades fazem divisa. A rua onde o vazamento ocorreu dá acesso a Ladeira da Colombina.
Mãe de 16 filhos, a aposentada Maria do Carmo contou da luta que enfrentou para conseguir comprar a casa que servia de teto a família. Hoje, não sobrou mais nada do imóvel. “Dinheiro que eu juntei, de lavar roupa, de tudo, perder assim do nada, eu não aceito”, contou Maria.
A família de dona Maria é uma das sete que tiveram as casas invadidas por uma enxurrada, depois que a tubulação rompeu. A força da água chegou em uma altura tão alta, que atingiu a casa de Gilmar Nery, que fica em uma parte mais elevada.
Vazamento de água forma ‘chafariz’ em bairro de Salvador.
Arquivo Pessoal
“Perdi o guarda-roupa, que molhou, minha poltrona, meu colchão, meu sofá. Meu forro, que ficou empenado, e também minha moto, que depois do dia que molho, está sempre desligando”, disse Gilmar.
Desde o ocorrido, as famílias, que não tinham para onde ir, foram alojadas em um motel. O contrato de 3 dias venceu e começou o impasse com a Embasa, para o aluguel de abrigo temporário.
“Falei com a assistente social e ela disse: ‘Tem um hotel aqui perto?’. Eu disse: ‘Só em Praia Grande’ e fez o contrato de 3 dias, a gente ficou, só que não dava para ficar mais tempo devido a ‘zoada’, minha mãe não conseguia dormir. Ele falaram que iam conseguir uma casa. Eu saí e consegui achar duas, só que eles nunca vinham para pagar o aluguel e sempre inventavam alguma coisa”, explicou a recepcionista Cintia Almeida.
O abrigo veio através de um pastor que acomodou a família em cômodo da igreja. Com problemas de circulação na perna, por causa do diabetes, dona Maria tem dificuldades de locomoção. No local, só existe um banheiro para atender as cinco pessoas hospedadas.
Além disso, duas camas, uma de casal e outra de solteiro, foram dadas pela Embasa. Depois disso, Cintia disse que nenhum contato foi feito. Na casa onde ela mora, a reforma também não começou. “Na igreja é ruim, por causa da escada para minha mãe”, contou.
Famílias cobram assistência e ressarcimento de prejuízos após tubulação romper em bairro de Salvador
Reprodução/TV Bahia
O baleiro Gilvan está prestes a ganhar o segundo filho. A mulher dele está grávida de 9 meses e perdeu todo o enxoval. A família conseguiu uma casa que foi alugada pela Embasa, mas o contrato é de um mês.
“A gente não tem nada, eu perdi minha mercadoria de trabalho. Não tenho como trabalhar, porque sou ambulante, não tem como sem mercadoria sem nada”, disse Gilvan.
A mãe de Ana Rita vive a mesma situação. O contrato do aluguel pago pela Embasa vence em 15 dias e nenhum reparo ainda foi feito na casa invadida pela água. Manicure, ela também perdeu todo o material que trabalhava.
“Minha mãe teve que sair pela janela, quem tirou minha mãe da janela, foi meu marido. Ela tinha a casa dela com tudo, sendo que ela perdeu através da água, da Embasa, que foi um problema deles. Ele têm que estar vindo para resolver”, relatou Ana.
Várias casas ficaram alagadas com o rompimento da rede distribuidora
Reprodução/TV Bahia
Por meio de nota, a Embasa informou que a assistência foi alinhada com os moradores dos imóveis afetados, inclusive com entrega de cestas básicas. Cinco das sete famílias estão em casas mobiliadas alugadas pela Embasa.
De acordo com a Embasa, duas famílias se recusaram a se acomodar no imóvel de aluguel oferecido pela empresa e estão alojadas em uma igreja. A Embasa disse que continua procurando um imóvel disponível para alugar na área, com padrão semelhante ao que era habitado pelas famílias.
Conforme a Embasa, inicialmente, quatro famílias foram alojadas temporariamente em um motel, pois era a única acomodação próxima ao bairro. Novamente, a solução foi adotada, de forma emergencial, com a concordância dos moradores atingidos.
A Embasa disse ainda, que está em andamento o processo de ressarcimento dos prejuízos provocados pelo vazamento. Quanto à moradora que machucou a mão, a empresa informou que ela não foi cadastrada pela equipe social no dia do acidente, mas prometeu entrar em contato.
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