‘Incitar a violência e o ódio é proibido na lei internacional’, afirmou Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos. Porta-voz do alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, em entrevista coletiva virtual nesta sexta (12)
Reprodução/ONU
A ameaça de violência do presidente Jair Bolsonaro contra um repórter, mesmo que não tenha se concretizado, pode fazer com que seus apoiadores entendam que têm sinal verde para agredir jornalistas, afirmou nesta sexta-feira (28) Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos. Ele falou em uma entrevista coletiva e foi perguntado especificamente sobre o incidente com o presidente brasileiro.
“Incitar a violência e o ódio é proibido na lei internacional. O presidente Bolsonaro e todas as pessoas em posição de responsabilidade precisam estar atentos ao fato de que as palavras deles podem levar a ações de terceiros que podem machucar as pessoas fisicamente, assim como prejudicá-las em termos de sua carreira profissional.”
Bolsonaro ameaça jornalista: ‘Minha vontade é encher tua boca na porrada’
No último domingo, um repórter do jornal “O Globo” perguntou sobre cheques no valor total de R$ 89 mil que teriam sido depositados entre 2011 e 2016 pelo ex-assessor Fabrício Queiroz e pela esposa dele, Márcia Aguiar, na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Primeiro, Bolsonaro disse que não iria responder. Depois, o presidente disse aos jornalistas: “Eu vou encher a boca desse cara na porrada”. Na sequência, emendou: “Minha vontade é encher tua boca na porrada”.
Os jornalistas, disse Colville, têm direito de fazer perguntas, assim como liberdade de expressão e opinião, e desempenham uma função vital para o resto da sociedade.
Ele afirmou que é legítimo criticar o trabalho da imprensa, ainda que isso deva ser feito com alguns limites. Não se trata disso, no entanto, salientou Colville. Nesse caso houve uma menção específica de violência.
“No caso de falar em violência, sugerir ação violenta contra jornalistas, isso é outra coisa”, afirmou Colville.
Os líderes têm um papel importante de dar exemplo, e ameaças de violência, mesmo se não são executadas, podem, desafortunadamente, levar a violência real pelos seus apoiadores, por pessoas que veem isso como um sinal verde, disse. “Então pedimos a todos os líderes, inclusive Bolsonaro, que tenham cuidado com o que falam.”