SÃO PAULO – A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi negativa em 0,38% em maio na comparação mensal, deflação menos expressiva do que a expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg, que apontava por um recuo de 0,46%. Em abril, o IPCA caiu 0,31% ante março. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa é a menor variação mensal desde agosto de 1998 (quando houve queda de 0,51%). No ano, o IPCA acumula queda de 0,16%. Em maio de 2019, a taxa havia ficado em 0,13%.

Já na comparação com maio do ano passado, a inflação subiu 1,88%. A projeção dos economistas era de uma alta a 1,79%, contra um avanço de 2,4% em abril na mesma base de comparação.

Os números refletem o ritmo mais fraco de crescimento da economia em meio à pandemia de coronavírus.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco tiveram deflação em maio. O maior impacto negativo do mês, -0,38 ponto percentual (p.p.), veio dos Transportes, cuja queda de 1,90% foi menos intensa que a de abril (-2,66%).

Outros destaques foram vestuário e habitação, que recuaram 0,58% e 0,25% respectivamente. No lado das altas, artigos de residência subiu 0,58% ante o recuo do mês anterior (-1,37%). Alimentação e bebidas (0,24%) desacelerou em relação a abril (1,79%). Os demais ficaram entre a queda de 0,10% em saúde e cuidados pessoais e a alta de 0,24% em comunicação.

Assim como em abril, o resultado do grupo transportes (-1,90%) foi influenciado pela variação nos preços dos combustíveis (-4,56%). O maior impacto sobre o índice do mês foi negativo (-0,20 p.p.) e veio, novamente, da gasolina (-4,35%), cuja queda foi menos intensa que a registrada em abril (-9,31%).

O etanol seguiu o mesmo movimento, com variação de -5,96% em maio frente aos -13,51% de abril, enquanto o óleo diesel (-6,44%) apresentou resultado próximo ao do mês passado (-6,09%), com impacto de -0,01 p.p.

Já as passagens aéreas recuaram 27,14%, contribuindo com -0,16 p.p. no IPCA de maio. Todas as regiões pesquisadas registraram queda de preços, que foram desde os -15,55% em Rio Branco até os -34,54% em Campo Grande.

No grupo vestuário (-0,58%), houve quedas nas roupas femininas (-0,88%), nos calçados e acessórios (-0,74%), nas roupas masculinas (-0,55%) e nas roupas infantis (-0,29%). As joias e bijuterias, por sua vez, subiram 1,00%, por conta do subitem joia (1,67%).

Em habitação (-0,25%), a maior contribuição negativa (-0,02 p.p.) veio da energia elétrica (-0,58%). Em maio, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter a bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz, até o fim deste ano. As áreas apresentaram variações que foram desde a queda de 6,10% em Fortaleza até a alta de 3,26% em Goiânia. No subitem gás encanado (-0,76%), a queda se deve à redução média de 2,60% nas tarifas do Rio de Janeiro (-2,53%), vigentes desde 1º de maio.

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