Dados do governo estadual mostram que novas mortes e casos de Covid-19 estão caindo na capital, mas óbitos seguem crescendo no restante da Grande São Paulo. Cidades da região metropolitana vão flexibilizar quarentena a partir da próxima segunda, anunciou Doria nesta quarta. Pacientes em hospital de campanha em Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo, em meio à pandemia do coronavírus
AP Photo/Andre Penner
A média de novas mortes e novos casos de Covid-19 registrados por dia está caindo na cidade de São Paulo. Dados do governo estadual mostram que os casos confirmados a cada dia estão em queda desde o dia 3 de junho. Já os óbitos contabilizados a cada 24h estão estáveis ou caindo desde 29 de maio.
A situação não é a mesma no restante da Grande São Paulo: juntos, os outros 38 municípios que compõem a região metropolitana seguem com tendência de aumento diário nos óbitos provocados pelo novo coronavírus. A média dos casos confirmados diariamente na região teve uma leve queda recente, a partir do dia 8 de junho, mas ainda não é possível observar se a queda é sustentada. Os dados foram atualizados até terça-feira (9).
Veja nos gráficos abaixo a situação da capital e da Grande São Paulo sem a capital:
Novos casos e mortes por Covid-19 por dia na cidade de São Paulo até 9 de junho
Arte G1
Novos casos e mortes por Covid-19 por dia na Grande São Paulo EXCETO capital até 9 de junho
Arte G1
Nesta quarta-feira (10) o governador João Doria anunciou que todas as sub-regiões da Grande São Paulo vão passar da fase vermelha para a fase laranja da quarentena a partir da próxima segunda (15). A capital já está nesta etapa do Plano São Paulo desde o dia 1º de junho. Na fase laranja, as prefeituras podem autorizar o funcionamento de concessionárias, imobiliárias, comércios, escritórios e shoppings (veja mais sobre a situação da Grande São Paulo abaixo).
Após a autorização do estado, cada cidade decide como será feita a flexibilização. A capital reabriu o comercio de rua nesta quarta e os shoppings reabrirão a partir de quinta (11).
A queda nos índices da capital não elimina a possibilidade de um novo pico de casos e mortes na cidade. O dado utilizado na análise é a média móvel dos casos ou de mortes registrados por dia nos últimos 7 dias.
A média móvel dos últimos 7 dias é um indicador recomendado por especialistas porque minimiza os efeitos da variação nos registros que ocorre aos finais de semana, quando as notificações caem sistematicamente. Enquanto as barras dos gráficos acima mostram o valor registrado por dia, a linha que se sobrepõe às barras faz uma média diárias dos últimos 7 dias.
Maiores valores
No último pico da média móvel de casos, em 3 de junho, a capital tinha média de 2.502 novos casos registrados a cada dia. Nesta terça, a média móvel ficou em 1.940 casos confirmados por dia nos últimos 7 dias.
Na análise gráfica, o pico de óbitos não é tão acentuado quanto o de casos, o que indica que, antes de cair, houve estabilidade no índice por alguns dias. A maior média móvel foi registrada em 29 de maio, com 109 mortes por dia. O índice se manteve praticamente estável, entre 109 e 107 mortes por dia, até o dia 2 de junho, quando começou uma leve queda. Nesta terça (9), a média móvel foi de 90 mortes por dia nos últimos 7 dias.
Já na análise dos dados da Grande São Paulo, excluindo a capital, o cenário é diferente. O dia em que houve maior média móvel de casos foi esta segunda (8), com 1.060 confirmados. Logo depois, na terça (9), último dia em que há dados do Ministério da Saúde por cidade, o valor caiu ligeiramente para 1.009.
Na análise da média móvel de óbitos, não houve redução nos últimos dias, apenas alta. O maior valor foi na última sexta (5), com média móvel de 74 mortes na região, mas o valor voltou a subir logo após uma rápida queda e voltou ao mesmo patamar, com 73 mortes por dia na terça (9).
Evolução nos critérios do Plano SP
O governo estadual utiliza cinco critérios de saúde para decidir relaxar ou endurecer a quarentena em cada região. Entre os critérios estão mortes e casos confirmados de Covid-19, indicadores detalhados acima para capital e Grande São Paulo. Cada item tem um peso na conta final para a classificação entre as fases:
Taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19;
Proporção de leitos UTI Covid-19 a cada 100 mil habitantes;
Variação no número de casos confirmados da doença os últimos 7 dias;
Variação no número de novas internações nos últimos 7 dias;
Variação no número de mortes confirmadas nos últimos 7 dias;
Nesta quarta-feira (10), devido à piora nesses índices, as regiões de Barretos, Presidente Prudente e Ribeirão Preto retrocederam para a fase vermelha, a mais restrita. Já a Grande São Paulo, a Baixada Santista e a região de Registro foram autorizadas a passar da fase vermelha (mais crítica) para a laranja (com menos restrições).
Com base nos dados apresentados pelo governo, é possível observar que a capital teve menos casos, menos mortes e menos internações em relação à semana anterior (valores abaixo de 1 indicam queda). No entanto, a taxa de ocupação de leitos de UTI está em 78%, apenas dois pontos percentuais abaixo dos 80% que levam para a classificação na fase vermelha. (veja a figura abaixo)
Governo de São Paulo atualiza fases das regiões no Plano São Paulo para flexibilização da quarentena
Divulgação/Governo de São Paulo
Apesar de estar evoluindo de fase na quarentena, os indicadores da Grande São Paulo mostram que a epidemia ainda cresce na região. Também de acordo com os dados atuais, 3 subregiões da Grande São Paulo têm índice de óbitos superior a 1, o que indica aumento no total de mortes registradas nos últimos 7 dias, em comparação com a semana anterior. Assim como a capital, Grande São Paulo Norte e Grande São Paulo Sudoeste também apresentam taxa de ocupação de UTI em 78%.
Inicialmente, a divisão do estado foi feita com base nas 17 Divisões Regionais de Saúde (DRS). A capital, no entanto, desde o início do anúncio do plano ficou de fora da DRS da Grande São Paulo, o que gerou críticas pela antecipação da possibilidade de flexibilização antes das demais cidades.
Na época, a principal justificativa do governo estadual para a classificação diferente foi a taxa de ocupação de leitos de UTI e a disponibilidade de leitos para 100 mil habitantes, que apresentava índices melhores na capital que nas outras cidades.
Após pressão de prefeitos, a gestão estadual concordou em subdividir a DRS da Grande São Paulo em outras 5 microrregiões além da capital, para que os locais que apresentassem melhores índices também pudessem avançar nas fases de reabertura.
Veja abaixo quais municípios fazem parte das subdivisões criadas para a Grande São Paulo:
Norte/ Franco da Rocha: Caieiras, Cajamar, Francisco morato, Franco da Rocha, Mairiporã.
Leste/ Alto Tietê – Guarulhos: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.
Sudeste/ Grande ABC: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.
Sudoeste/ mananciais: Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista.
Oeste/ Rota dos Bandeirantes: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora de Bom Jesus e Santana do Parnaíba.
Metodologia para cálculo de critérios no Plano São Paulo
Divulgação/Governo de São Paulo
Recorde no estado
São Paulo tem novo recorde de mortes por coronavírus em 24 horas com 340 óbitos
O número de mortes pelo coronavírus no estado de São Paulo bateu recorde pelo segundo dia seguido nesta quarta-feira (10), com 340 mortes registradas em 24h. Com isso, são 9.862 vidas perdidas no estado. Há ainda 156.316 casos confirmados da doença, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, um acréscimo de 6.178 em relação ao dia anterior.
O recorde de óbitos anterior pertencia a esta terça-feira (9), quando foram registradas 334 mortes. Já o recorde de casos em 24h ocorreu no dia 2 de junho, com 6.999 casos confirmados.
Os números não significam, necessariamente, que as infecções e mortes aconteceram de um dia para o outro, porque o balanço estadual considera a data em que os diagnósticos foram contabilizados no sistema.
Em relação aos critérios considerados para a flexibilização, o estado teve melhora em 4 dos 5 itens em relação ao dia 1 de junho: a taxa de ocupação de leitos caiu para 69,1%, de 72,6%; a proporção de leitos de UTI foi de 15,4 para 18,1 a cada 100 mil habitantes; o número de casos caiu 1% e o número de óbitos diminuiu 3% no período. Já as novas internações por casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 cresceram 7% no período.
Indicadores são critérios do Plano SP para mudanças na quarentena no estado de São Paulo
Reprodução/Governo de São Paulo
Fases da classificação
Mapa atual de classificação das regiões no Plano São Paulo para flexibilização da quarentena
Divulgação/Governo de São Paulo
Pelo plano apresentado pelo governo de São Paulo, as regiões do estado são classificadas da seguinte forma:
Fase 1 – Vermelha: Alerta máximo
Fase 2 – Laranja: Controle
Fase 3 – Amarela: Flexibilização
Fase 4 – Verde: Abertura parcial
Fase 5 – Azul: Normal controlado
De acordo com a fase cada região pode liberar a abertura de diferentes setores da economia fechados pela quarentena. Veja na figura abaixo:
Plano do governo de São Paulo para flexibilização da quarentena no estado
Governo de SP/Divulgação
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