Dentre os problemas, órgão encontrou fiações expostas e área de repouso inadequada, contrariando recomendações para prevenir contágio pela Covid-19. Ministério Público do Trabalho aponta irregularidades no Samu de Feira de Santana
Uma inspeção do Ministério Púbico do Trabalhou (MPT) encontrou irregularidades no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da cidade de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador. A ação aconteceu após denúncias de funcionários.
O MPT constatou problemas como repouso dos profissionais, falta de distanciamento para evitar o contágio pelo novo coronavírus e equipamentos em não conformidade com as normas técnicas.
De acordo com a procuradora do Ministério Público do trabalho, Annelise Leal, as irregularidades encontradas durante inspeção foram: o compartilhamento de equipamentos de trabalho, como telefones, sem a prévia higienização; área de conforto e repouso dos trabalhadores, sem ventilação; fiações expostas; armários individuais bem danificados; depósito de resíduo de lixo sem sinalização e desorganizados; e também máscaras que estavam sem o certificado de aprovação.
Um vídeo gravado por socorristas do Samu mostra uma técnica de enfermagem recusando uma ocorrência de um paciente contaminado pela Covid-19. Por causa desta situação, a coordenação do Samu de Feira de Santana suspendeu a funcionária.
Segundo os socorristas do Samu, as ocorrências com pacientes contaminados pela doença são realizadas sem a presença dos enfermeiros, por uma orientação da coordenação, para economizar.
“Foi passado para a gente que era uma forma de economizar o material, o EPI. Por exemplo, aquele macacão descartável que a gente usa para caso de Covid-19”, conta um funcionário do Samu, que preferiu não revelar a identidade.
A funcionária do Samu afirma que a colega que foi afastada exigiu a presença de uma enfermeira que estava escalada no plantão para fazer o atendimento do paciente.
De acordo com a coordenadora do Samu de Feira de Santana, Maísa Macedo, o afastamento da funcionária foi feito após consulta no protocolo do Ministério da Saúde.
“[O protocolo] direciona as ações do Samu à unidade de suporte basco é tripulada pelo condutor e pelo técnico de enfermagem, e nós, profissionais da saúde, jamais poderemos negar um atendimento de urgência a população”, contou.
Em um outro vídeo, um funcionário, vestido com uma capa usada por motociclista, é flagrado desinfectando uma ambulância. A coordenadora do Samu, Maísa Macedo, conta que esta situação aconteceu no mês de maio, mas não informou o motivo.
Segundo um outro socorrista, que também não quis ser identificado por medo de represália, relata que apresenta sintomas e se encaixa no grupo de risco da Covid-19, mas, mesmo assim, continua exercendo a atividade.
Sobre as outras denúncias, a coordenadora relata que está ciente da inspeção do MPT e que o Samu está buscando se adequar. “Estamos justamente ajustando nosso planejamento a partir dessas novas orientações”, disse Maísa.
Já a procuradora que está cuidando do caso conta que o município pode ser punido caso não atenda as recomendações para evitar o contágio da doença.
Em nota, a Prefeitura de Feira de Santana informou que todos os espaços de descanso têm janela e banheiro, e os funcionários são orientados a utilizar os espaços de descanso em horários alternados, e que não existe nenhum equipamento de proteção individual compartilhado. O órgão também informou que todos os EPI’s são fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde e possuem certificação.
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