Unidade de Feira, que suspendeu atendimento presencial no final de março, tem apenas três defensores para atender demanda da cidade e de outros 65 municípios. Defensoria Pública em Feira de Santana segue sem novos atendimentos
Os atendimentos na Defensoria Pública da União (DPU) em Feira de Santana, cidade a 100 km de Salvador, estão suspensos por falta de estrutura desde o mês de julho. Os moradores que tiveram o auxílio emergencial do Governo Federal negado e aguardavam uma resposta do DPU sobre o processo de análise, reclamam da demora de receber um retorno sobre a situação.
Veja gráfico de casos e mortes em Feira de Santana desde o início da pandemia
A unidade de Feira, que suspendeu o atendimento presencial no final de março, tem apenas três defensores para atender a demanda da cidade e de outros 65 municípios. Por causa disso, a DPU suspendeu temporariamente o atendimento remoto a novos casos até o final de agosto.
Evilásio Nery trabalha como pedreiro há 35 anos. Com a pandemia, os serviços praticamente zeraram. Para conseguir pagar as contas, ele deu entrada no pedido do auxílio emergencial, mas não foi aprovado. “Ficou em análise por um bom tempo, um mês mais ou menos, depois disso foi negado”, contou o pedreiro.
Moradores de Feira de Santana reclamam de demora em receber respostas da Defensoria sobre auxílio emergencial
Reprodução/TV Subaé
Para tentar resolver, Evilásio procurou a Defensoria Pública através do telefone e por um aplicativo no celular. Ele disse que levou mais de 30 dias para receber uma resposta.
“Após 30 dias, a estagiária [do DPU] me procurou e disse que eu teria que enviar mais alguns documentos. Se eu não tivesse esses documentos, seria encerrado o processo por conta de não ter uma resposta. Eu enviei os documentos que pediram e fiquei novamente esperando. Agora, dia 7, mandaram novamente outros documentos. Fiz tudo novamente”, relatou Evilásio.
O mesmo aconteceu com Adeilton Bandeira, que é costureiro. Nos últimos meses, sem conseguir vender as bolsas que fabrica e com o pedido do auxílio emergencial negado, ele está vivendo de “bicos”. Adeilton também procurou ajuda na DPU, mas esperou 3 meses para receber uma resposta.
“Foram 90 dias para me darem um retorno. Pediram para eu entrar em contato e enviar todos os documentos novamente”, disse Adeilton.
Moradores contaram que tiveram que reenviar os documentos ao DPU
Reprodução/TV Subaé
Evilásio e Adeilton fazem parte dos mais de 10 mil baianos que procuraram a Defensoria Pública por questões com o auxílio emergencial. Em Salvador, já foram 5.785 atendimentos. Na unidade de Vitória da Conquista, foram 2.257 atendimentos. Em Feira de Santana, 2.048 pessoas já buscaram assistência jurídica.
“Suspendemos a inscrição na lista de espera, para que as pessoas não tenham a expectativas de serem atendidas e a gente não consiga ter atendimento. A gente já fez o atendimento de cerca de 2 mil pessoas e ainda tem pouco menos de 2 mil pessoas na lista de espera também”, explicou Éric Bóson, defensor público.
Para tentar acelerar o atendimento, a Defensoria está enviando e-mails para as pessoas que estão na fila de espera, para que elas consigam fazer o encaminhamento dos documentos.
“Nesse e-mail, a gente disponibiliza um link em que as pessoas podem clicar e elas mesmos serão direcionadas para incluir todos os documentos necessários. A gente vai pedindo um por um e, a cada tipo de indeferimento, vai ser pedido outro documento”, completou Éric.
Veja mais notícias do estado no G1 Bahia.