Bruno Luperi
Responsável por adaptar o texto para o remake de Pantanal, Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, revela atrito entre avô e Globo (Imagem: João Miguel Junior / Globo)

Bruno Luperi, responsável pelo remake de Pantanal, afirmou em entrevista ao site Midiamax que Benedito Ruy Barbosa tentou diversas vezes que a história de Juma Marruá e o Velho do Rio fosse produzida pela Globo. De acordo com histórias que ouviu, um pequeno atrito entre o autor e o então chefão da emissora, o Boni, marcou a saída do avô da TV da família Marinho para a TV Manchete.

“Meu avô saiu da Globo há 30 anos, atrás de um sonho. Ele passou nove anos brigando pela novela na Globo e ela não saía. Reza a lenda, o que já me contaram da história, foi que o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ex diretor-geral da Globo), quando meu avô falou que ia fazer Pantanal na Manchete, ele disse: ‘Vai, quebra a cara e volta’”, disse. Na época, o público mudou o hábito e saiu da plim plim para a TV da família Bloch. “E ele foi e, em menos de três semanas, já reverteram a audiência, que saiu de 7 pra 38 pontos no Ibope”, recordou.

O jovem autor deu detalhes da sua relação afetuosa com a trama. “O Pantanal surgiu como uma parte afetiva muito forte no meu imaginário, na minha infância. Eu nasci quando Pantanal estava sendo concebida, nos bastidores. Foi engraçado porque meu avô prometia pra mim e pros meus primos que ele nos levaria pro Pantanal um dia. A vida passa, vem as atribulações e acabou não acontecendo, ficou só na promessa… Mas todas as histórias que ele colocou na novela eram as que contava pra gente, ao pé da cama”, confessou.

Segundo ele, assim que o remake da trama ganhou força na Globo, sua primeira medida foi uma nova visita à produção de 1990. “Foi reassistir alguns capítulos, depois fui aos originais do meu avô. É uma leitura muito minuciosa, ponto a ponto, porque existem umas questões que são atemporais, outras não. Ela é uma novela muito bem construída do ponto de vista dramatúrgico, a minha ideia é seguir muito a toada do texto original, pois é uma obra que pede que tudo seja de raiz, os personagens têm uma raiz muito forte, nada muito forçado, inventado”, avaliou.

Sobre a possibilidade de atores da exibição original como parte da nova novela, Bruno Luperi foi claro: “Temos alguns nomes, mas são muito delicados ainda. Tenho pelo menos dois nomes certos na minha cabeça e na do Papinha (Diretor). É uma novela de fases, a gente tem o Joventino criança, adulto, Velho do Rio, Zé Leôncio novo e adulto”.

“Agora, acho que não é a hora de divulgar nada ainda, mas a ideia é sim trazer alguém. Não acho que vá ser nada óbvio, vamos olhar com carinho pra isso”, acrescentou ele, que admitiu conversas com Benedito sobre a próxima Juma. “Em conversas com meu avô sobre a Juma, sobre quem ela seja, imagino muito claro uma menina, jovem, não será um rosto muito conhecido, pode ter um, dois trabalhos nas costas, um rosto novo, fresco”, detalhou.

“Uma menina que é um bicho por fora, que carrega em si a essência masculina do preservar-se, proteger-se… Já o  Jove, que é o contrário, é um homem criado por três mulheres no Rio de Janeiro, com a mesada do pai, que na opinião dele, está morto, sem nenhuma necessidade de se conectar ao mundo masculino, arquetípico convencional. Ele acaba sendo um homem que tem a alma feminina muito estabelecida, não uma situação ligada a sexualidade, e a Juma uma mulher com alma masculina, a gente ganha essa discussão. Naquela época não aprofundaram tanto o tema, mas hoje a gente tem uma margem muito bacana”, contou.

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