Infectologista do Emílio Ribas, Jean Gorinchteyn assumiu a pasta nesta terça-feira (21) em substituição a José Henrique Germann. Jean Gorinchteyn dá primeira entrevista exclusiva como secretário de Saúde de São Paulo
O novo secretário de saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou na tarde desta terça-feira (21) em entrevista à GloboNews que irá trabalhar mais próximo às prefeituras que registram aumento de casos de Covid-19 no estado. Gorinchteyn assumiu a pasta nesta terça-feira (21) em substituição à José Henrique Germann.
“A partir do momento que estamos tendo qualquer risco em alguma cidade específica, seguramente, representando o governo do estado, eu vou estar indo até lá para poder entender. Nós estamos perdendo o quê? Por que as pessoas estão morrendo? Por qualificação na assistência? O que falta? Faltou leito de UTI? Faltou estratégias de prevenção? Tudo isso seguramente vão ser coisas que nós estaremos fazendo. Eu vou ser um secretário de gabinete, mas um secretário de condutas proativas representando o governo do estado nesses municípios porque é isso que a população espera do governo estadual”, afirmou o novo secretário da Saúde.
Jean Gorinchteyn destacou ainda que os municípios que registram aumento de casos confirmados de mortes pela Covid-19 devem redobrar os cuidados para evitar aglomerações que a reabertura de setores econômicos possam possibilitar nos municípios paulistas.
“Seguramente, tanto prefeitos quanto secretários municipais da saúde devem sim criar estratégias no sentido de impedir grandes aglomerações. E grandes aglomerações significa reabertura muito mais ampla e muito mais rápida. Nós não podemos, de forma alguma, fazer o que especialmente esses municípios que têm uma ascensão de número de casos estejam colocando seus munícipes em risco”, afirmou.
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Na última semana semana, o estado de São Paulo registrou crescimento de 24% nas mortes por coronavírus no interior. Segundo o governo de São Paulo, essa alta nas cidades do interior foi responsável por fazer com que o estado como um todo batesse o recorde semanal, com 1.945 novas mortes, após três semanas seguidas em que o valor havia apresentado leve queda.
De acordo com Gorinchteyn o crescimento pode ser explicado pelo fato de algumas cidades do interior de SP não terem seguido medidas de segurança no início da quarentena e também de terem aproveitado a reabertura de setores da capital paulista para também promover reaberturas.
“O que houve foi que, a medida que todas essas estratégias foram tomadas para o município de São Paulo, com planos de quarentena, principalmente, aquela fase . Isso retardou a progressão da doença em pelo menos três a quatro semanas, então, o interior naturalmente se sentiu muito à vontade, desacreditando do risco de que aquelas regiões teriam qualquer problema de terem ou serem acometidas pela presença do vírus. Com isso, as flexibilizações não foram obedecidas os comércios de forma geral, inclusive bares, lanchonetes, se mantiveram abertos por todos os horários até longas horas e altas horas da noite. E isso impactou na presença do vírus naquela região”, afirmou.
O novo secretário de saúde declarou, ainda, que se preocupará também com regiões que tiveram que retroceder na classificação no Plano São Paulo, como, por exemplo, a região de Ribeirão Preto.
“Quando a gente olha essas regiões, principalmente, a região de Ribeirão Preto, por exemplo, que é uma das regiões que mais chamaram a atenção havia uma projeção inclusive para a faixa amarela, ela recua, são regiões inclusive com várias cidades no seu entorno que passam a ter esse risco de aumento no número de casos, então, são essas cidades, principalmente, no oeste do estado de São Paulo que vão merecer uma atenção especial no sentido das pessoas entenderem essa necessidade”, afirmou Gorinchteyn.
Nesta terça-feira (21) o estado de São Paulo ultrapassou a marca de mais de 20 mil mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia. Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde, foram registradas 383 novas mortes e 6.235 novos casos confirmados de Covid-19 nas últimas 24 horas.
Plano São Paulo
Atualização das regiões no Plano São Paulo nesta sexta-feira (17).
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Para começar a reabertura gradual do estado em 1º de junho, o governo dividiu o território de acordo com as 17 Divisões Regionais de Saúde (DRS). A Grande São Paulo ainda foi subdividida em microrregiões. A flexibilização da quarentena é feita de modo diferente em cada uma dessas regiões.
Os cinco critérios que baseiam a classificação das Divisões Regionais de Saúde são: ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs); total de leitos por 100 mil habitantes; variação de novas internações, em comparação com a semana anterior; variação de novos casos confirmados, em comparação com a semana anterior; variação de novos óbitos confirmados, em comparação com a semana anterior.
Esses critérios definem em qual das cinco fases de permissão de reabertura a região se encontra:
Fase 1 – Vermelha: Alerta máximo
Fase 2 – Laranja: Controle
Fase 3 – Amarela: Flexibilização
Fase 4 – Verde: Abertura parcial
Fase 5 – Azul: Normal controlado
Na última sexta-feira (17) o governo de São Paulo atualizou a situação das regiões no Plano São Paulo de reabertura gradual das atividades econômicas e anunciou que a região de Piracicaba, no Interior de São Paulo, retrocedeu para a fase 1 (vermelha), mais restrita em que apenas atividades essenciais estão liberadas. Piracicaba teve piora nos indicadores de saúde uma semana após ter avançado para a para a fase 2 (laranja) na última sexta-feira (10).
Substituição
Segundo o governo do estado de São Paulo, o Germann está com problemas de saúde, no coração. Há três semanas ele já não participava das coletivas.
“A troca acontece neste momento por necessidade de saúde. O doutor [Germann], ao longo de um período de 19 meses, cumpriu brilhantemente seu trabalho à frente da secretaria. Deixa esta função e assume amanhã a função de assessor especial do governo para assuntos de saúde pública, dando expediente no Palácio e na secretaria. Quero deixar claro que não houve razão de ordem administrativa, exceto de saúde”, reforçou o governador João Doria (PSDB) em coletiva nesta terça-feira.
O governador ainda citou uma longa lista de ações implementadas por Germann enquanto secretário da saúde de sua gestão, como o Corujão da Saúde, que, segundo ele, zerou a fila de exames em todo o estado, a implementação do aplicativo Remédio Agora, que permite a retirada de medicamentos sob agendamento, o serviço de telemedicina, antes da pandemia do coronavírus, e a retomada de obras paradas, como do novo hospital Pérola Byington.
Doria destacou ainda a contribuição de Germann no combate à pandemia. “Sob seu comando, o número de UTIs do SUS mais do que dobrou. Fato inédito, recorde no Brasil. Saiu de 3.600 para 8.056 leitos de UTI em São Paulo. São mais unidades do que toda a Itália ou Espanha”, afirmou, acrescentando a implantação dos hospitais de campanha e da atuação no interior do estado.
Jean Gorinchteyn, que assumiu a pasta, é infectologista nos hospitais Albert Einstein e São Camilo, e no Instituto de Infectologia Emilio Ribas. Ele é formado pela Universidade Mogi das Cruzes, mestre em doenças infecciosas e doutorando em neurologia experimental pela Unifesp, com mais de 20 anos de atuação como médico e professor.
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