Um agente foi demitido e outro transferido para funções administrativas; Rayshard Brooks foi baleado no estacionamento de um restaurante e caso levou a demissão de comissária e nova onda de protestos na cidade. Morte de homem negro por policiais em Atlanta provoca protestos
Um policial de Atlanta foi demitido e outro foi transferido para serviços administrativos após a morte de um homem negro, disseram autoridades dos Estados Unidos neste domingo (14). Eles são apontados como os responsáveis pela morte de um homem negro, Rayshard Brooks, durante uma abordagem na sexta-feira (12) no estacionamento de um restaurante.
O oficial demitido foi identificado como Garrett Rolfe, que integra a corporação desde 2013, e o oficial colocado em serviço administrativo é Devin Brosnan, que foi contratado em 2018, de acordo com um comunicado do porta-voz da polícia sargento John Chafee.
Reprodução de imagem captada por câmera acoplada ao corpo de um dos agentes que mostra a abordagem policial em Atlanta, na sexta
Departamento de Polícia de Atlanta/AP
A ação levou a uma nova onda de protestos, semanas depois da morte de George Floyd – ex-segurança também negro, morto após ser imobilizado e ficar em ar com um policial ajoelhado sobre seu pescoço por cerca de 8 minutos.
Noite de protestos em Atlanta
Restaurante é incendiado durante protestos no sábado (13), em Atlanta após homem negro ser morto no estacionamento do local durante abordagem policial
Elijah Nouvelage/Reuters
No sábado (13), manifestantes atearam fogo no restaurante e chegaram a bloquear o tráfego em uma rodovia. Autoridades locais informaram que ao menos 36 pessoas foram presas nos protestos que se estenderam para a madrugada.
Manifestantes, incluindo membros da família Brooks, se reuniram no sábado em frente ao restaurante onde ele foi baleado. Entre os que protestaram estava Crystal Brooks, que disse à agência Associated Press ser cunhada de Rayshard Brooks.
“Ele não estava fazendo mal a ninguém”, disse Brooks. “A polícia foi até o carro e, mesmo que estivesse estacionado, o puxaram para fora e começaram a brigar com ele.”
Restaurante é incendiado durante protestos no sábado (13), em Atlanta após homem negro ser morto no estacionamento do local durante abordagem policial
Elijah Nouvelage/Reuters
O restaurante começou a pegar fogo por volta das 23h30 do sábado e vídeos das emissoras locais mostravam que o estabelecimento estava em chamas até ao menos às 4 da manhã do domingo.
A chefe da polícia de Atlanta, Erika Shields, renunciou ao cargo. A prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, anunciou a renúncia de Shields em uma entrevista coletiva onde defendeu também a demissão imediata do policial que atirou contra o suspeito.
Mais um jovem negro é morto por policiais brancos nos EUA
A ação policial aconteceu às 22h30, depois que dois agentes foram chamados para investigar um homem dormindo dentro do carro, no sistema de drive-thru de uma cadeia de restaurantes.
Os policiais conduziram testes para verificar a sobriedade do homem, de acordo com as investigações, e tentaram prendê-lo.
Segundo Vic Reynolds, diretor do escritório de investigação da Geórgia (GBI, na sigla em inglês), o homem resistiu à prisão e conseguiu roubar uma arma de choque dos policiais. Ele foi baleado na sequência, quando apontou a arma a um dos oficiais de polícia.
Nos EUA, morte de homem negro pela polícia provoca protestos em Atlanta
Putin sinaliza ‘profundas crises’
No domingo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou que os protestos das últimas semanas nos EUA, contra o racismo e a violência policial mostram “profundas crises internas” no país.
“É claro que o que acontece [nos EUA] é a expressão de profundas crises internas”, disse Putin em entrevista ao canal Rossia 1.
“Na verdade, observamos isso há muito tempo, desde que o presidente em exercício chegou ao poder, quando venceu de forma absolutamente clara e democrática”, acresce
‘Vidas negras importam’
A morte acontece em meio a uma série de protestos nos EUA por justiça racial e reforma policial, depois que George Floyd, também um homem negro, morreu enquanto era preso por policiais na cidade de Minneapolis.
A imobilização de Floyd foi filmada por uma testemunha, e mostrou um policial apertando o pescoço do homem com o joelho por 8 minutos e 46 segundos, enquanto Floyd afirmava que não conseguia respirar.
O caso levou a diversos protestos pelo país, com manifestantes pedindo por reforma policial nos EUA, e demandando igualdade racial.
Imagem mostra Rayshard Brooks lutar com os policiais Garrett Rolfe e Devin Brosnan no estacionamento de um restaurante Wendy’s no sábado, 13 de junho de 2020, em Atlanta, antes de ser morto
Departamento de Polícia de Atlanta via AP
Initial plugin text