Por que há tanta controvérsia em torno do popular aplicativo de vídeos curtos TikTok, famoso por performances de sincronização labial e desenhos de comédia, agora proibido na Índia?
BBC
Com sua mistura eclética de dança, desenhos de comédia e sincronização labial, o TikTok se tornou um fenômeno entre os jovens.
No entanto, com fortes vínculos com a China, é a mais recente empresa a ser atacada à medida que as tensões entre a China do presidente Xi Jinping e os EUA do presidente Donald Trump crescem.
Os EUA e a Austrália estão avaliando proibir o aplicativo e a Índia já o retirou das lojas de aplicativos.
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O que é o TikTok?
O TikTok é um aplicativo gratuito, uma espécie de versão resumida do YouTube. Os usuários podem postar vídeos de até um minuto e escolher entre um enorme banco de dados de músicas e filtros.
Clips de comédia e citações de filmes também são oferecidos para os usuários sincronizarem os lábios.
Quando um usuário tem mais de mil seguidores, ele também pode fazer transmissões ao vivo para seus fãs e aceitar presentes digitais que podem ser trocados por dinheiro.
O aplicativo exibe tanto os vídeos dos perfis que o usuário segue e, com mais destaque, o conteúdo que o aplicativo escolhe com base no que ele assistiu antes.
A possibilidade de trocar mensagens privadas também está disponível entre os usuários.
Qual o tamanho do TikTok?
Desde o início de 2019, o aplicativo tem se mantido no topo dos rankings de downloads.
Os confinamentos devido à pandemia também parecem ter causado um aumento no interesse, levando o TikTok e seu aplicativo irmão Douyin (disponível na China continental) a um número estimado de dois bilhões de downloads em todo o mundo, com cerca de 800 milhões de usuários ativos.
O aplicativo foi baixado com mais frequência na Índia, mas a proibição de Délhi significa que a China atualmente é seu principal mercado, seguida pelos Estados Unidos. O Brasil aparece em quinto lugar, depois da Indonésia.
TikTok e a China
O TikTok começou como três aplicativos diferentes.
O primeiro foi um aplicativo americano chamado Musical.ly, lançado em 2014. Em 2016, a gigante chinesa de tecnologia ByteDance lançou um serviço semelhante na China, o Douyin.
A ByteDance se expandiu globalmente com um nome diferente: TikTok.
Em 2018, a Bytedance comprou o Musical.ly e o aplicativo único ficou com o nome TikTok.
A ByteDance tentou distanciar seu aplicativo de sua propriedade chinesa, nomeando o ex-executivo sênior da Disney Kevin Mayer como executivo-chefe para o TikTok.
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Quantos dados o TikTok coleta?
O TikTok coleta uma enorme quantidade de dados sobre seus usuários, incluindo quais vídeos são assistidos e comentados, dados de localização, modelo de telefone e sistema operacional usado e até o ritmo de digitação dos usuários ao usar as teclas.
Parte da coleta de dados do aplicativo gerou dúvidas, incluindo a recente revelação de que ele estava lendo regularmente as áreas de transferência – o conteúdo de “copiar e colar” – dos usuários.
Mas esse também foi o caso de dezenas de outros aplicativos, incluindo Reddit, LinkedIn, New York Times e BBC News, e não ser nada tão grave.
Grande parte da coleta geral do TikTok é comparável a outras redes sociais que buscam coletar dados, como o Facebook.
No entanto, o Information Commissioner’s Office do Reino Unido, um órgão de vigilância da privacidade, está atualmente investigando o aplicativo.
A China poderia usar o TikTok para espionar pessoas?
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alegou que os usuários do TikTok correm o risco de seus dados acabarem “nas mãos do Partido Comunista Chinês”.
O TikTok insistiu que os dados são coletados e armazenados fora da China.
“A insinuação de que estamos de alguma forma sob o controle do governo chinês é completa e totalmente falsa”, disse Theo Bertram, chefe de políticas públicas da TikTok para a Europa, Oriente Médio e África, à BBC.
No entanto, como acontece com a Huawei, os argumentos contra o TikTok parecem se basear na possibilidade teórica de o governo chinês obrigar a ByteDance, de acordo com as leis locais, a entregar dados sobre usuários estrangeiros.
A Lei de Segurança Nacional de 2017 na China obriga qualquer organização ou cidadão a “apoiar, ajudar e cooperar com o trabalho de inteligência do Estado”.
Bertram disse que, se o TikTok fosse abordado pelo governo chinês, “definitivamente recusaríamos qualquer solicitação de dados”.
Mas a ByteDance conhece as consequências de desagradar o Partido Comunista.
O aplicativo de notícias popular da empresa, chamado Toutiao, ficou offline por 24 horas em 2017, de acordo com o South China Morning Post, depois que o Escritório de Informações na Internet de Pequim disse que estava espalhando “conteúdo pornográfico e vulgar”.
Recusar uma ordem direta dos serviços de espionagem do país também pode ter consequências para a empresa, em geral, e sua liderança.
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Outra preocupação é a censura.
A China tem um dos espaços de internet mais restritos do mundo, com sua “Great Firewall” bloqueando partes da web para seus cidadãos.
No ano passado, o jornal The Guardian informou que a equipe e os sistemas automatizados do TikTok haviam aplicado regras de moderação que censuravam material considerado politicamente sensível.
Filmagens de protestos na Praça da Paz Celestial e demandas de independência tibetana estavam entre os materiais que foram proibidos ou restritos.
Outras reportagens do Washington Post, cuja equipe conversou com seis ex-funcionários da TikTok, disseram que moderadores na China têm a palavra final sobre a aprovação de vídeos sinalizados como conteúdo sensível.
A ByteDance disse que as diretrizes mencionadas foram extintas.
Mas alguns argumentam que sua cultura de moderação ainda pode ser tendenciosa a favor do Estado chinês.
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