Segundo jornal, procuradora reclamava de pressões para liberar conteúdo da investigação antes das eleições. Democratas acusam o Departamento de Justiça de usar o inquérito eleitoralmente a favor de Trump. Nora Dannehy, procuradora dos EUA, em foto de 2009
Haraz N. Ghanbari/Arquivo/AP
A procuradora Nora Dannehy, integrante da equipe que investiga as origens da investigação sobre o suposto conluio entre a campanha eleitoral de Donald Trump em 2016 e a Rússia, deixou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta sexta-feira (11).
Dannehy trabalhava na equipe liderada pelo procurador John Durham, do estado de Connecticut, para apurar como o FBI e outras agências federais americanas começaram a investigar a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016 — caso que interessa a Trump.
Donald Trump durante cerimônia no Memorial Nacional do Voo 93 em Shanksville, Pensilvânia
Alex Brandon/AP
Ela não deu detalhes sobre a partida. Entretanto, segundo o jornal “Hartfort Courant”, a jurista reclamava de pressão por “razões políticas” para produzir um relatório sobre o caso Trump-Rússia antes que seu trabalho ficasse pronto.
Durham escolheu Dannehy para integrar a força-tarefa logo depois de o Secretário de Justiça dos EUA, William Barr, escolhê-lo para supervisionar as investigações. Trump quer provar que o inquérito analisado pelo procurador Robert Mueller — que terminou livrando o presidente de responsabilidade no caso — está cercado de irregularidades.
Democratas protestam
Deputado Adam Schiff, presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, fala durante o terceiro dia do julgamento do impeachment de Donald Trump no Senado dos EUA, em janeiro
Senate TV/Handout via Reuters
Barr disse que poderia pedir para divulgar algumas das conclusões da investigação antes das eleições americanas marcadas para 3 de novembro. Isso irritou o Partido Democrata, de oposição, que alega que a manobra poderia servir para influenciar eleitores a favor de Trump.
O chefe do Comitê de Inteligência da Câmara, o deputado democrata Adam Schiff, disse que se essas conclusões forem liberadas antes de 3 de novembro, a força-tarefa violará uma política do Departamento de Justiça contra decisões que interfiram na eleição.
“A investigação de Durham teve caráter político desde o começo. Nenhuma surpresa que procuradores de carreira estejam deixando os cargos”, escreveu Schiff.
No mês passado, o ex-advogado do FBI Kevin Clinesmith se tornou a primeira pessoa acusada criminalmente pela investigação de Durham. Ele confessou que falsificou um e-mail usado pela agência em 2017 para renovar sua inscrição em um sistema de grampos para monitorar Carter Page, ex-conselheiro de campanha de Trump.
O inspetor-geral do Departamento de Justiça, Michael Horowitz, descobriu o e-mail falsificado e, em dezembro, liberou um relatório com 17 erros e omissões “básicos e fundamentais” os sistemas de vigilância do FBI.
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