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Afiliada da Globo no Sul do país sofre censura (Imagem: Divulgação / Globo)

Afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, a RBS TV viu uma reportagem sobre a concessão irregular do abono emergencial ficar sob censura prévia. Uma das pessoas citadas na reportagem entrou na Justiça, que concedeu liminar impedindo a publicação do conteúdo jornalístico.

De acordo com as informações do portal G1, o juiz Daniel da Silva Luz, da comarca de Espumoso, no Norte do estado, tornou disponível a ordem judicial impedindo a exibição da reportagem que envolva o nome da autora da ação. Ele ainda determinou multa de R$ 50 mil reais caso a decisão seja descumprida.

O portal da Globo lembrou na matéria que “a Constituição Brasileira proíbe a censura prévia”. A RBS TV afirmou que vai recorrer da decisão. Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais afirmaram que estão acompanhando atentos e com preocupação a decisão que “impede o pleno exercício do jornalismo pelo Grupo RBS”.

As associações apontaram que “a decisão privilegia o interesse individual em detrimento do direito de coletividade” e que as matérias jornalísticas “investigativas são serviço indispensável à população”.

William Bonner e Renata Vasconcellos repercutiram a notícia no Jornal Nacional na edição da última segunda-feira (15) e destacaram notas de repúdio e a manifestação da afiliada de que irá recorrer da decisão.

Nota de repúdio da ABERT, ANER e ANJ

“A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) acompanham, com preocupação, a decisão do juiz da Comarca de Espumoso (RS), que impede o pleno exercício do jornalismo pelo Grupo RBS.

A determinação judicial proíbe a publicação e vinculação do nome da autora da ação em matéria jornalística que investiga o suposto recebimento indevido de auxílio emergencial do governo.

A restrição à divulgação de nome e imagem constitui censura prévia e atenta contra a liberdade de imprensa e de expressão, direitos assegurados constitucionalmente aos cidadãos brasileiros.

A decisão judicial privilegia o interesse individual em detrimento ao direito da coletividade. As matérias jornalísticas investigativas podem e devem colaborar na apuração e identificação de eventuais crimes, e são serviço indispensável à população.

ABERT, ANER e ANJ esperam que a decisão seja reformada.”

Nota de repúdio da Agert

“A Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert) manifesta sua preocupação com a decisão do juiz da Comarca de Espumoso (RS), que concedeu liminar determinando que a RBS TV se abstenha de divulgar matéria jornalística que envolva o nome da autora da ação com o suposto recebimento de auxílio emergencial do governo.

A AGERT espera que tal decisão seja reformada pelo Poder Judiciário, pois constitui verdadeira censura prévia, vedada pela Constituição Federal, e reafirma a defesa da liberdade de expressão e do direito à livre informação como direitos inalienáveis do público, essenciais ao Estado Democrático de Direito.”

Nota de repúdio da ABI

“A Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa repudia a censura prévia imposta à RBS TV pelo juiz Daniel da Silva Luz, da comarca de Espumoso.

Tal ato atenta contra as liberdades de imprensa e de expressão consignadas na Carta Magna brasileira.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) reitera a sua posição em defesa da livre circulação da informação imparcial, pilar maior do Estado Democrático de Direito.

Porto Alegre – RS, 15 de junho de 2020

Vilson Antonio Romero,

Comissão de Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa

Associação Brasileira de Imprensa (ABI).”

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