O presidente Jair Bolsonaro em cavalo da PM na frente ao Palácio do Planalto, no dia 31 de maio
Mateus Bonomi/AE
1) “Brasileiros morrem, Bolsonaro dá de ombros.” Assim Vanessa Bárbara resume a situação da pandemia no Brasil em texto para a New York Review of Books (NYRB). O Observatório Covid-19, da Universidade de Miami, avaliou a adoção de políticas de combate à pandemia em toda a América Latina e concluiu que, no Brasil, “na ausência de ajuda federal, será essencial que estados e cidades incentivem distanciamento físico e diminuam a mobilidade populacional para evitar a catástrofe”. Artigo na revista da Associação Médica Americana (Jama) descreve a dificuldade dos países latino-americanos para obter os insumos e equipamentos necessários ao combate da Covid-19. Estudo do Imperial College londrino, publicado na Science, avalia que, em países de renda média como o Brasil, “estratégias de mitigação que reduzam, mas não interrompam a transmissão, ainda levarão a epidemia de Covid-19 a rapidamente sobrecarregar os sistemas de saúde”. Na Nature, pesquisadores americanos estimam que, em seis países, as políticas de distanciamento social e quarentenas evitaram aproximadamente 530 milhões de infecções. Na Pathogens and Disease, um estudo grego conclui que novos surtos do novo coronavírus Sars-CoV2 ressurgirão até haver uma vacina e que a imunidade natural de longo prazo não deverá ser suficiente para controlar a pandemia.
2) No VoxEU, o economista James Stock explica por que uma política sensata de reabertura está intrinsecamente ligada à capacidade de testes para avaliar a extensão do contágio na população. O inevitável aumento da dívida pública em momentos de crise aguda, como guerras ou pandemias, nem sempre gera problemas no futuro, afirma uma análise histórica no Bloc-notes Eco.
Imagem ilustrativa mostra vacina contra Covid-19
Dado Ruvic/Reuters/Ilustração/Arquivo
3) Reportagem no New York Times acompanha o estágio da pesquisa com as principais candidatas a vacina. O Poynter constata que a escassez de frascos poderá ser o principal gargalo na produção. Na NYRB, Carl Elliott discute a ética dos testes necessários à aprovação. Estudo na Science especula se a vacina oral contra a poliomielite oferece alguma proteção contra o Sars-CoV2. O South China Morning Post noticia que certos tipos sanguíneos parecem garantir maior imunidade.
4) Pesquisa na Science desvenda um novo par de anticorpos capazes de neutralizar o vírus. Estudo na Nature decifra o mecanismo por meio do qual os anticorpos ao Sars-CoV2 oferecem proteção. A Nature noticia ainda que as artérias saudáveis são o principal motivo por que as crianças não sofrem as piores consequências da Covid-19. Artigo no New England Journal of Medicine estima em 30% a probabilidade de um resultado negativo falso num teste para diagnóstico da doença.
Cloroquina e Hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra a Covid-19
Reprodução/TV Globo
5) O uso da cloroquina para prevenir ou tratar a Covid-19 é desacreditado estudo após estudo, relata reportagem na Science. Google e Apple despertaram conflitos nos Estados Unidos com o aplicativo para rastrear infectados pelo vírus, revela o Politico.
A alemã Gina-Maria Fruehauf no ‘Picnic Vitoriano’, em Leipzig, Alemanha, no final de maio
Jens Meyer/AP
6) Máscaras reduziram casos de Covid-19 na Alemanha em até 13% ao longo de um período de dez dias, revela pesquisa do Instituto para Economia do Trabalho (IZA). No Reino Unido, um estudo das universidades de Cambridge e Greenwich concluiu que as máscaras poderiam reduzir a transmissão a níveis controláveis e evitar novas ondas da pandemia, noticia a Reuters.
Novas covas abertas no cemitério São Luiz, onde vítimas do novo coronavírus (COVID-19) são enterradas em São Paulo
Andre Penner/AP
7) A importância do preenchimento correto dos atestados de óbito durante a pandemia é destaque de artigo na Jama. O LabCidade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, apresenta um mapa casos e mortes identificados por rua. O economista Thomas Fujiwara, da Universidade Princeton, atualizou o cálculo de mortalidade por todas as causas no Brasil e concluiu que, em seis cidades para as quais os dados são mais confiáveis, a mortalidade na pandemia foi 76% superior ao que sugerem os números oficiais. Reportagem interativa no New York Times compara as mortes provocadas pelo novo coronavírus a eventos trágicos nos últimos cem anos. Noutra reportagem, o Times detalha o evento mais letal entre todos, a epidemia de Gripe Espanhola na Filadélfia em 2018. O Guardian narra o caso da pequena La Rioja, na Espanha, que registrou uma das mortalidades mais altas na Europa. No VoxEU, Guido Alfani mostra como a devastação das pandemias ao longo da história deixou sequelas por décadas.
8) O Frontliner apresenta as ideias controversas sobre a extensão do contágio defendidas pelo neurocientista britânico Karl Friston, entrevistado pelo Guardian e tema de perfil na Wired.
Frequência de relações sexuais têm diminuído entre americanos, revela um novo estudo
AFP Photo/Sebastien Bozon
9) Entre 2000 e 2018, aproximadamente um em cada três homens entre 18 e 24 anos relatou não ter feito sexo no ano anterior, conclui pesquisa na Jama. A castidade também cresceu entre homens e mulheres de 25 a 34 anos. Os motivos são discutidos em artigo também na Jama.
Ex-vice-presidente dos EUA e pré-candidato à Casa Branca, Joe Biden participa, por vídeo, de funeral de George Floyd em Houston, nos EUA, nesta terça (9/6)
David J. Phillip, Pool/AP Photo
10) A Economist prevê que o democrata Joe Biden tem cinco chances em seis de derrotar o presidente Donald Trump nas eleições de novembro. Na NYRB, Michael Tomasky analisa a guinada de Biden à esquerda. Em entrevista ao Vox, Heather Ann Thompson compara os protestos antirracismo das últimas semanas à luta pelos direitos civis nos anos 1960 e critica a análise de Omar Wasow na American Political Science Review. Artigo no VoxEU constata, na condenação desproporcional de negros à morte, a distorção da Justiça americana.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, durante entrevista coletiva em Belgrado, na Sérvia, no dia 15/5
Andrej Isakovic/AFP
11) Na NYRB, Kate Maltby relata os planos do premiê Viktor Orbán para consolidar sua autocracia populista na Hungria. No Global Party Survey, Pippa Norris apresenta um índice para avaliar o grau de populismo de partidos e países.
Placa marca o local onde o primeiro-ministro Olof Palme foi assassinato em Estocolmo, em 3 de fevereiro de 1986
Frederik Sandberg/ TT News Agency/ Via AFP
12) O New York Times noticia que a Suécia descobriu quem assassinou o primeiro-ministro Olof Palme em 1986, num crime misterioso investigado em detalhes por reportagem do Guardian no ano passado.
O britânico Charles Dickens, considerado um dos maiores romancistas de todos os tempos
Reprodução
13) Também no Times, Tina Jordan relembra o luto nos Estados Unidos depois da morte do escritor britânico Charles Dickens.
Isaac Newton, que criou o Cálculo enquanto estava em quarentena, usou uma prisma para separar a luz solar em cores
Getty Images via BBC
14) Na holandesa Novos Arquivos de Matemática, Viktor Blåsjö resume episódios históricos em que matemáticos fizeram descobertas notáveis durante períodos de quarentena.
Da janela da Apollo 11, as primeiras pegadas humanas na Lua
Nasa/Project Apollo Archive
15) A Fermat’s Library reproduz 35 linhas de código de autoria da líder da equipe de programação da Apollo 11, Margaret Hamilton, responsáveis pelo cálculo das funções trigonométricas que permitiram um pouso perfeito na superfície lunar.