Constituição do país determina o limite de dois mandatos presidenciais, mas a oposição e o governo não concordam sobre a interpretação de reforma adotada em 2016. Pessoas são vistas no telhado de uma delegacia de polícia incendiada por manifestantes durante uma manifestação contra a decisão do presidente da Costa do Marfim Alassane Ouattara de concorrer a um terceiro mandato nas próximas eleições presidenciais em Bonoua, na Costa do Marfim, na sexta-feira (14)
Luc Gnag/Reuters
Os protestos na Costa do Marfim depois que o presidente Alassane Ouatara anunciou sua candidatura a um terceiro mandato deixaram seis mortos e 100 feridos em três dias, de acordo com um balanço oficial.
Neste sábado (15), um homem morreu em Daoukro (centro), o que eleva a quatro o número de mortos em confrontos neste reduto do ex-presidente Henri Konan Bedie, que também será candidato nas eleições de outubro.
Os confrontos começaram na terça-feira (11) nesta cidade entre partidários de Henri Konan Bedie e do presidente Alessane Ouattara.
Seis pessoas morreram e 100 ficaram feridas no país em três dias de protestos, depois que Ouattara anunciou a candidatura. Além disso, 68 foram detidas por distúrbios públicos, violência contra as forças de segurança e destruição de bens.
O presidente Ouattara, de 78 anos, eleito em 2010 e reeleito em 2015, havia anunciado em março a candidatura do primeiro-ministro Amadou Gon Coulibaly. Mas ele faleceu em 8 de julho, vítima de infarto.
Ouattara anunciou então, em 6 de agosto, que disputaria o terceiro mandato.
A Constituição determina o limite de dois mandatos presidenciais, mas a oposição e o governo não concordam sobre a interpretação da reforma adotada em 2016.
Os partidários de Ouattara alegam que a reforma zerou os mandatos, enquanto seus adversários consideram inconstitucional uma terceira candidatura.