Vacina está na fase 3, a última etapa antes da avaliação de agências reguladoras. Medida também vale para testes em andamento no Brasil. Funcionário trabalha na sede da AstraZeneca, em Sydney, na Austrália, nesta quarta-feira (19)
Dan Himbrechts via Reuters/ AAP Image
A potencial vacina contra a Covid-19 criada pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca precisou ter a fase 3 – última etapa de testes – suspensa temporariamente nesta terça-feira (8).
A suspensão vale também para os testes em andamento no Brasil, de acordo com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das responsáveis pelo estudo. A Unifesp disse que 5 mil voluntários brasileiros já foram vacinados e que “não houve registro de intercorrências graves de saúde”.
A AstraZeneca esclareceu que o protocolo de segurança foi acionado após um dos voluntários no Reino Unido apresentar reação que pode estar vinculada à vacina.
Veja a repercussão de especialistas sobre o assunto:
Natália Pasternak, doutora em microbiologia
“Até isso se resolver, até isso ser investigado se realmente teve relação com a vacina, o estudo fica interrompido. Interrompido quer dizer que não se recruta mais ninguém, mas as pessoas que já estão recrutadas e participando óbvio que continuam sendo acompanhadas”.
“Isso não significa grande coisa, por enquanto a gente não sabe o que aconteceu com essa pessoa e se teve relação com a vacina ou não. E isso simplesmente atrasa um pouco. Por isso que a gente sempre fala que não dá para prever quanto tempo que uma fase 3 dura, porque a gente sabe que essas coisas podem acontecer no meio da fase 3. A gente pode precisar recrutar mais gente, a gente pode precisar prolongar ou interromper o estudo. Então, por isso que não dá para sair por aí batendo o martelo dizendo que vamos ter vacina em outubro, novembro, dezembro, colocando data”.
Atila Iamarino, biólogo e divulgador científico
“Isso é sinal de um teste clínico sendo feito. É comum ter reações não relacionadas. E é nessa fase que se detectam reações mais raras. As duas são importantes medir, daí a implicação com EUA e Rússia fazerem esse tipo de teste antes de sair distribuindo vacinas”.
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Bruno Filardi, oncologista e pesquisador do Instituto do Câncer
“Pra mim essa postura adequada e transparente da empresa mostra mais segurança no processo. Não terem se manifestado sobre o caso em si também. Vamos aguardar uma avaliação independente e torcer para o evento não ter relação direta com a vacina.”
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Gustavo Cabral, imunologista e pesquisador da vacina da Covid-19 do Instituto do Coração, em SP
“A gente precisa, na verdade, de mais informações, o motivo real que levou a essa suspensão. Por exemplo, efeitos colaterais: quais especificamente são eles e qual o número de voluntários que sofreram esses efeitos. A gente precisa de mais informações para dar uma posição mais específica”.
“De qualquer forma, pode ser consequência dessa corrida louca para desenvolver a vacina, de quem chega primeiro. Isso não importa se não seguir todos os rigores científicos. O fato de pular etapas de testes com animais e já ir para seres humanos deixa exposto a essas situações”.
Fiocruz e Anvisa são comunicadas de interrupção nos testes da vacina de Oxford
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