Entidade afirmou que as pessoas precisam se lembrar que as vacinas foram responsáveis por conter o vírus mortal do Ebola e por erradicar a varíola. ‘Mudaram o mundo’. Imagem de arquivo mostra cientista durante a pesquisa de uma vacina contra a Covid-19 em São Petersburgo, na Rússia
Anton Vaganov/File Photo/Reuters
Ao ser questionada sobre a fala do presidente Jair Bolsonaro feita nesta semana sobre não poder “obrigar ninguém a tomar vacina”, a cientista-chefe da a Organização Mundial de Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, lembrou da importância da vacinação para conter doenças mortais como a Covid-19.
“É graças às vacinas que não vemos mais essas doenças. Nós esquecemos o que é varíola, esquecemos o que é morrer de sarampo”, afirmou a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan nesta sexta-feira (4).
“As vacinas são intervenções que salvam vidas”, comentou Swaminathan. “Precisamos de mais educação, mais informação sobre as vacinas para o público em geral.”
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon, afirmou que as vacinas foram as únicas ferramentas totalmente eficazes para conter doenças mortais.
“As pessoas podem se informar a respeito de como o mundo utilizou as vacinas para diminuir a mortalidade em crianças menores de cinco anos, de como conseguiu a erradicação da varíola. Observem como as vacinas mudaram o mundo”, disse Tedros. Ele lembrou ainda como a vacina conseguiu conter a epidemia de Ebola na África recentemente.
Em relação à vacina contra o coronavírus, o diretor-geral afirmou que há um bom número de vacinas promissoras. “Mas elas apenas serão utilizadas quando forem seguras e eficazes, é isso que eu gostaria de assegurar ao mundo”, disse.
“Eu gostaria de afirmar que a OMS não aprovará vacinas que não sejam eficazes e seguras”, garantiu Tedros ao comentar a fala de Bolsonaro.
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Lockdowns podem ser evitados
Ainda nesta sexta, a OMS afirmou que os lockdowns contra a disseminação do coronavírus nas cidades podem ser evitados se os governos e as comunidades fortalecerem as medidas de saúde.
“Os lockdowns são um instrumento contundente que tem causado graves perdas em muitos países. Com a combinação certa de medidas direcionadas e personalizadas [para conter a pandemia], outros lockdowns podem ser evitados”, afirmou Tedros.
Para evitar novos lockdowns, a entidade destacou como prioridade aos países:
Evitar eventos que propiciem a transmissão do coronavírus (como aglomerações, lugares fechados, mal ventilados etc)
Capacitar as pessoas a se protegerem e a protegerem os outros (medidas individuais e coletivas contra o coronavírus, como lavar as mãos, uso da máscara, etiqueta ao espirrar, isolamento caso apresente sintomas etc)
Fortalecer a saúde pública
Proteger as pessoas do grupo de risco
O diretor-geral da entidade informou que se reuniu com os líderes do G20 para discutir a reabertura dos países de maneira consciente durante a pandemia.
“O foco da discussão foi como juntos podemos reabrir sociedades, economias e fronteiras. Isso é algo que a OMS apoia de todo o coração”, disse Tedros.
Vacinação em massa somente em 2021
Ainda nesta sexta, uma porta-voz da entidade afirmou não esperar uma vacinação ampla contra a Covid-19 até meados de 2021. Ela enfatizou a importância de checagens rigorosas sobre a eficácia e a segurança das vacinas.
Nenhuma das candidatas a vacina que estão em testes clínicos avançados demonstrou, até agora, “sinal claro” de eficácia em um nível mínimo de 50% buscado pela OMS, disse a porta-voz Margaret Harris, segundo a Reuters.
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“Realmente não estamos esperando ver uma vacinação ampla até meados do ano que vem”, disse Harris durante um briefing da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra.
A Rússia deu aprovação regulatória para uma vacina contra a Covid-19, a chamada de “Sputnik V”, em agosto após menos de dois meses de testes em humanos, levando especialistas a questionaram a sua eficácia e segurança. Na época, a falta de estudos publicados sobre os testes russos gerou desconfiança na comunidade internacional.
Nesta sexta, resultados dos testes de fase 1 e 2 da vacina foram publicados na revista científica “The Lancet”, que é uma das mais importantes do mundo. A vacina não teve efeitos adversos e induziu resposta imune. Veja o vídeo:
Estudo diz que vacina russa contra o coronavírus induz resposta imune e é segura
Na quinta-feira (3), autoridades de saúde pública dos Estados Unidos e a Pfizer disseram que a vacina pode estar pronta para distribuição até o final de outubro. Este prazo é um pouco anterior à eleição presidencial norte-americana de 3 de novembro, na qual a pandemia do coronavírus deve ser um fator importante entre os eleitores que decidirão se o presidente dos EUA, Donald Trump, terá um segundo mandato.
“Esta Fase 3 [de testes clínicos] tem que ser mais longa, porque precisamos ver quão realmente protetora a vacina é e também precisamos ver quão segura ela é”, disse Harris, sem se referir a vacina em potencial especificamente.
Todos os dados dos testes têm de ser compartilhados e comparados, disse ela. “Muitas pessoas foram vacinadas e o que não sabemos é se a vacina funciona. Neste momento não temos um sinal claro se tem ou não o nível de eficácia e segurança necessários.”
Etapas para a produção de uma vacina
Para se produzir uma vacina, leva tempo. A mais rápida desenvolvida até o momento foi a vacina contra a caxumba, que precisou de cerca de quatro anos até ser licenciada e distribuída para a população.
Antes de começar os testes em voluntários, a imunização passa por diversas fases de experimentação pré-clinica (em laboratório e com cobaias). Só após ser avaliada sua segurança e eficácia é que começam os testes em humanos, a chamada fase clínica – que são três:
Fase 1: é uma avaliação preliminar da segurança do imunizante, ela é feita com um número reduzido de voluntários adultos saudáveis que são monitorados de perto. É neste momento que se entende qual é o tipo de resposta que o imunizante produz no corpo. Ela é aplicada em dezenas de participantes do experimento.
Fase 2: na segunda fase, o estudo clínico é ampliado e conta com centenas de voluntários. A vacina é administrada a pessoas com características (como idade e saúde física) semelhantes àquelas para as quais a nova vacina é destinada. Nessa fase é avaliada a segurança da vacina, imunogenicidade (ou a capacidade da proteção), a dosagem e como deve ser administrada.
Fase 3: ensaio em larga escala (com milhares de indivíduos) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da sua eficácia e segurança em maiores populações. Além disso, feita para prever eventos adversos e garantir a durabilidade da proteção. Apenas depois desta fase é que se pode fazer um registro sanitário.
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