Na segunda, Nicolás Maduro deu à diplomata portuguesa 72 horas para deixar o país. EU ameaçou tomar medidas de reciprocidade. A Venezuela decidiu nesta quinta-feira (2) suspender a expulsão da embaixadora da União Europeia (UE) em Caracas, depois de concordar com o bloco sobre a necessidade de manter as relações diplomáticas, anunciaram em comunicado conjunto.
“O governo venezuelano decidiu tornar sem efeito a decisão de declarar a embaixadora Isabel Brilhante Pedrosa persona non grata”, diz a declaração do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, e do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.
Nicolás Maduro veste máscara durante discurso no Palácio de Miraflores, em Caracas (Venezuela), na terça-feira (13)
Miraflores Palace/Handout via Reuters
Na segunda-feira (29), o presidente venezuelano Nicolás Maduro deu à diplomata portuguesa 72 horas para deixar o país em resposta às sanções europeias contra 11 autoridades venezuelanas por ações contra a oposição liderada por Juan Guaidó.
No entanto, a UE instou Caracas na terça-feira (30) a revogar sua decisão, alertando Maduro do consequente “isolamento internacional” se a expulsão fosse confirmada. O chefe da diplomacia europeia também alertou para medidas “recíprocas”.
Após conversa, Borrell e Arreaza “concordaram com a necessidade de manter a estrutura das relações diplomáticas, especialmente neste momento em que a cooperação entre ambas as partes pode facilitar os caminhos do diálogo político”, diz o comunicado.
A Venezuela se tornou em 2017 o primeiro país latino-americano sancionado pela UE, que também impôs um embargo de armas.
Paralelamente, o bloco busca aliviar a crise humanitária no país e a crise de refugiados nos países vizinhos.
As novas sanções da UE elevaram para 36 o número de autoridades venezuelanas proibidas de viajar ao bloco e congelam seus bens por prejudicar a democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos neste país mergulhado em uma profunda crise política.